domingo, 18 de abril de 2021

Sobre os mais velhos: Sentem-se bem na agricultura? Então continuem!



1.jpg


2.jpg


3.jpg


4.jpg


 





Há dois anos, no início de Maio de 2019, acompanhei o meu pai, então com 88 anos, a uma consulta de grupo no IPO, para avaliar o tratamento que tinha iniciado.

- Então, como se sente? - perguntou uma médica.

- Bem, ontem fui fazer um trabalho com o trator ao campo e senti-me bem, não tive dores!

- E você foi andar de trator no estado em que tem os ossos?

Perante o nosso ar de espanto (nunca tinha sido colocada qualquer limitação de atividade), o médico do lado acrescentou, com o ar condescendente e professoral dos seus cabelos brancos:

- Mas sentiu-se bem? Então continue!...

Semeei ontem o milho no campo onde o meu pai tinha passado a retrofresa há dois anos. Não tirei fotos nesse dia, mas fiz um pequeno filme dele a trabalhar noutro campo, na sementeira da erva, em outubro desse ano. Recordei-me deste episódio por estes dias quando vi duas publicações do agricultor canadiano, Farmer Tim (ver fotos), com o seu pai de 80 anos a fazer uma sementeira e a sua mãe a receber um pequeno borrego para retomar a criação que teve há muito tempo. Houve ainda outra publicação mais deliciosa onde passei os olhos mas à qual perdi o rasto: Nos Estados Unidos, a satisfação de um senhor de 89 anos aos comandos de um enorme trator também para ajudar as sementeiras, para o qual tinha subido com dificuldade – e um vídeo onde se vê um jovem a retirar o pequeno escadote necessário para a subida até ao primeiro degrau.

Foi dos Estados Unidos que veio um filme com o título “Este pais não é para velhos”, mas de lá também vêm estes exemplos. Qualquer uma dessas publicações diz-nos que, de um ou do outro lado do atlântico, a vossa comida é produzida não só por algumas mãos calejadas pela idade, mas também por famílias que cuidam dos mais velhos ou dos mais novos e os integram nas atividades possíveis das quintas.

Ao longo dos anos, as estatísticas mostraram que Portugal tem os agricultores mais velhos da Europa. Isto é devido a um aspeto negativo, a baixa percentagem de jovens agricultores, mas também podemos ver pelo lado positivo: Em Portugal os agricultores duram muito tempo 😊. No Centro e Norte da Europa, é comum os agricultores retirarem-se completamente da atividade ao atingir a idade da reforma, vendendo as suas empresas agrícolas aos filhos ou a outros que se queiram instalar na atividade. Em Portugal a reforma para os agricultores é apenas a mudança de contribuinte para pequeno pensionista. Por causa dessa pensão ser pequena, muitos tem de continuar a trabalhar por necessidade. Outros querem manter-se ativos, por opção. É importante que se mantenham ocupados, mas que o façam em segurança. Há uma diferença entre as atividades acompanhadas do pai do Farmer Tim ou do outro agricultor, em planície, e os idosos que em Portugal morrer a conduzir tratores sem cabines ou arcos de segurança em locais de declive acentuado.

Não é fácil encontrar o equilíbrio. Não é fácil dizer a um pai que deve manter-se em atividade mas lembrar-lhe aos mesmo tempo que já não é um rapaz novo, que não pode subir àquela escada ingreme para podar uma fruteira ou continuar a conduzir o trator como se tivesse 20 anos. Talvez trocar o trabalho nos campos distantes pela horta ao pé de casa seja uma opção. Trocar a criação de vacas no monte por gado mais “miúdo” no curral pode ser outra opção. Sentem-se bem? (Com cuidado 😊), continuem!


Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.