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A Europa tem cada vez mais países com mais
agricultores e menos orçamento comunitário, portanto, menos dinheiro disponível
para a PAC, Política Agrícola Comum, para o período 2014-2020.
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A Europa é governada e habitada por uma maioria
de gente que nunca soube ou já esqueceu o que é fome generalizada (com excepção
dos novos pobres, fruto da crise económica, que mesmo assim dispõem de cantinas
sociais e outros apoios das IPSS); essa ausência de fome, consequência da
disponibilidade de comida boa e barata, resulta do sucesso da PAC, fundada após
a 2ª Guerra Mundial, mas desvaloriza a PAC e a agricultura, pois só davos valor
ao que nos falta.
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A Europa quer comida barata para os cidadãos,
mas quer também abertura dos mercados do resto do mudo para os seus produtos
industriais, por exemplo automóveis, cuja indústria representa muitos eleitores.
Por isso a agricultura tem sido moeda de troca entre a Europa e o resto do
mundo, tendo a europa assumido o compromisso de não apoiar directamente
produção agrícola; Para contornar esta dificuldade, a Europa deixou de garantir
preços aos produtos agrícolas e passou a dar um “rendimento mínimo” ao
agricultor, o actual “Pagamento Único”. Mas isto trouxe novos problemas: Falta
de algumas produções (por exemplo, cereais) e apoios a quem não produz, muito
mal vistos pela sociedade e por muitos dos agricultores que efectivamente
produzem e precisam de ajuda.
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Para manter as ajudas aos agricultores, a Europa
tem aumentado as exigências ambientais, que já exisitiam na actual
“condicionalidade”; O europeu aceita que se pague alguma coisa ao “jardineiro”
que mantém a paisagem e protege o ambiente. É neste contexto que se fala agora
do “greening” - “esverdeamento”- da agricultura; Basicamente, haverá mais
regras ambientais a cumprir para receber uma parte das ajudas comunitárias, por
exemplo, obrigação de fazer rotação de culturas ao longo do ano.
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A actual PAC tem muitas injustiças além do
desligamento, nomeadamente as ajudas baseadas no “histórico” de cada agricultor,
com diferenças enormes entre países. Por isso a actual proposta propõem o
estabelecimento de um valor único por área (dentro do país, mas mantendo as
diferenças entre países, porque nenhum país aceita baixar o seu orçamento)
independentemente da cultura instalada no momento; Esta medida, apesar da boa
intenção que parece ter, é profundamente gravosa para os produtores de tomate,
arroz ou leite nas regiões de minifúndio, como o minho e a Beira Litoral. Mesmo
os produtores de leite noutras regiões tem muitas vezes pouca área disponível
para receber ajudas, porque compram silagem ou porque os donos da terra não
assim contratos de arrendamento, para serem eles a receber os subsídios.
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Eu ainda me lembro dos medos que provocou a
adesão de Portugal à Europa, das desgraças sucessivamente anunciadas em cada
reforma da PAC e dos resultados conseguidos após negociações, sempre excelentes
na perspectiva do governo e maus na visão da oposição. Por isso, não sofram já
a imaginar o fim da agricultura nem se iludam depois com “os milhões” adicionais
que se possam conseguir ou deixar de perder. Preparem-se sobretudo para as
“partilhas” nacionais do bolo de Bruxelas, cada vez mais pequeno.
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Com menos ajudas de Bruxelas, não teremos outra
saída além de trabalhar e lutar pela valorização do leite produzido. Foi nesse
sentido que apresentamos no colóquio uma proposta de “índice de referência de
preços”, desenvolvida pelo Professor António Moitinho e outros docentes da
Escola Superior Agrária de Castelo Branco e cuja fórmula considera o mercado
interno de lacticínios, o preço ao produtor nos países vizinhos e os custos de
produção, nomeadamente Alimentos e energia. É uma proposta a desenvolver, em
nome da transparência, da justiça e da sobrevivência das explorações leiteiras e de toda a fileira da
produção de leite.
Carlos Neves
(Publicado no "Terras do Ave" em 31-1-2013)
Carlos Neves
(Publicado no "Terras do Ave" em 31-1-2013)