sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Antigamente não era melhor

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Numa recente publicação da minha página do facebook sobre o percurso do leite desde a vaca até à fábrica, perante o relato de como decorria o processo de recolha do leite há 60 anos, sem refrigeração e pasteurização, alguém comentou:  “Bons tempos. Agora já nem sei se é leite que bebo". Não respondi na altura, porque este pensamento, muito comum, precisa de uma resposta mais longa e fundamentada.


O valor de uma coisa depende da quantidade em que existe no mundo, da quantidade que temos e da falta que nos faz (no fundo, da oferta e da procura). Ouro e diamantes valem muito porque são raros, mas se estivermos numa estrada do deserto e longe de tudo, uma garrafa de água vale mais do que ouro nesse momento.


Quando temos fome, damos valor aos alimentos. Quando sentimos que existe risco para a saúde, damos valor à segurança dos alimentos. Na nossa sociedade, no “mundo ocidental”, temos fartura. A maioria das pessoas tem dinheiro suficiente para comprar comida e tem a poucos metros de casa ou à distância de um clique uma enorme variedade de alimentos seguros e controlados, mas também tem saudades da sua infância passada no campo onde viveram os seus avós e tem saudades porque era mais jovem, tinha mais saúde, mais sonhos e mais anos de vida pela frente, mas a vida não era mais fácil e o leite não era melhor.


Antes de haver máquinas de ordenha, tanques frigoríficos para guardar o leite e fábricas para pasteurizar e tirar gordura do leite, as vacas eram ordenhadas à mão, em cima do estrume, debaixo de pó e o leite era transportado em bilhas de metal levadas por carroças, sem arrefecer, até à fábrica ou ao consumidor da cidade. Na primeira metade do século XX, a qualidade da leite era tão baixa que surgiram em Portugal modernas vacarias ou “lactários” dentro das cidades, promovidas por benfeitores ou pelas autoridades, para alimentar as crianças mais pobres com leite melhor do que era levado do campo pelas leiteiras, as senhoras que transportavam e vendiam leite. Não havendo cadeia de frio, era preciso adicionar algum conservante ao leite. Não havia análises. Muitas crianças nasciam mas não sobreviviam até à idade adulta por causa da fome e de doenças de origem desconhecida, muitas vezes devido à falta de higiene.


Hoje as vacas são criadas em modernos estábulos muito melhores do que os velhos “aidos”. Têm acompanhamento veterinário. São obrigatoriamente controladas para as doenças que se podem transmitir aos humanos . São ordenhadas com máquinas de ordenha que se lavam automaticamente com água quente e detergente. O leite é imediatamente arrefecido, armazenado no tanque frigorífico e transportado em camiões isotérmicos até à fábrica onde não pode entrar sem ser analisado para garantir que não tem resíduos de antibiótico. É filtrado, homogeneizado, pasteurizado ou ultrapasteurizado para eliminar as bactérias patogénicas e podem tirar-lhe uma parte da gordura. É colocado em embalagens esterilizadas e não leva conservantes, podendo dispensar a conservação em frio no caso do leite UHT. É certo que nesse processo perde algum sabor, mas é mais fácil, mais barato e mais cómodo de transportar, conservar  e consumir. É a forma mais razoável de oferecer o leite ao consumidor de forma segura e económica.


Houve uma evolução equivalente na produção da manteiga, do queijo e dos iogurtes. Mantém-se e recuperam-se produtos artesanais e todos os dias surgem novidades no mercado. Apesar de todos os ataques ao “leite” por parte de quem pretende ocupar o “espaço no estômago” com outros produtos mais caros e menos nutritivos, os corredores de supermercados têm uma variedade enorme de leite para beber, de queijos, de iogurtes e agora recentemente muitos produtos à base da proteína do leite. Produzimos um alimento com 10.000 anos de história e temos motivos para dar valor a toda a evolução, toda a tecnologia e toda a gente que trabalha na cadeia do leite para oferecer ao consumidor toda esta variedade de alimentos com mais controlo e segurança alimentar do que existia “antigamente”.


Publicado em https://vacapinta.com/es/hemeroteca/vaca-pinta-42.html




sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Um vídeo de Natal que vale a Pena ver

Vídeo de Natal do Projeto LEITE É VIDA e da APROLEP - Associação dos Produtores de Leite de Portugal

Protagonizado por jovens produtores de leite de Barcelos, Famalicão e Vila do Conde.



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Feliz Natal das nossas famílias para as vossas famílias.

Que este Natal seja recheado de amor, saúde e paz.

Nós, produtores de leite, vamos continuar a fazer o nosso melhor para alimentar os portugueses. Festas Felizes!

 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Ajudar quem me ajudou

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Ao longo do ano, fui partilhando nas minhas páginas das redes sociais (“carlosnevesagricultor” no facebook, instagram, web e youtube) imagens dos meus trabalhos agrícolas. Na época de colheita do milho para silagem, tenho mais trabalho, mais motivos para fotografar e mais imagens para partilhar. 


Em certas ocasiões, coloco a legenda “ajudar quem me ajudou”, para não enganar as pessoas que ficariam a pensar que eu cultivo uma centena de hectares e nunca mais acabo de colher. Fico surpreendido pelos comentários e elogios que recebo, como se fosse caso raro. Será que a colaboração entre agricultores é um exclusivo da minha região?


Antigamente, as desfolhadas, as vindimas e outras colheitas eram motivo de convívio entre agricultores com as suas vastas famílias ou equipas de trabalho. Depois, há 50 anos, as desfolhadas foram trocadas pela silagem individual feita com os pequenos tratores e máquinas que cortavam uma linha de cada vez, e cada família de agricultores passou a guardar o seu milho...


Conforme escrevi num texto sobre a silagem de milho, “uma das primeiras memórias que tenho com trator é de ir ao colo do meu pai a cortar silagem, devia ter 5 anos. Nesse tempo a silagem exigia-nos “abrir caminhos à foucinha” antes de poder entrar com o trator (não se deixavam caminhos de rega no meio dos campos) e meter esse milho “à posta” para dentro da máquina – trabalho duro e moroso, agravado num ano de inverno precoce que nos obrigou a cortar dois lameiros assim, com a foucinha e levar manualmente para a máquina. Foi com essa máquina que comecei a ensilar. Como eu ainda era pequeno a minha mãe andava comigo no trator a ajudar e o meu pai transportava a silagem. No silo, outra trabalheira, a silagem era espalhada com ancinhos e forquilhas antes de ser calcada com o trator que, aprendemos todos mais tarde, também serve para espalhar sem precisar de ganchos e forquilhas.


Era com uma dessas máquinas que andava a ensilar a 11 de setembro de 2001, quando caíram as torres gémeas em nova Iorque. Nesse ano já só ensilei um campo mais distante dessa forma, porque desde o ano 2000 que passámos a recorrer à prestação de serviço de corte de silagem com automotriz. Nessa altura os vizinhos receberam a “novidade” com críticas e desconfiança, mas rapidamente se renderam e aderiram. Agora fazemos num dia o que demorava um mês antigamente.


Trocar as pequenas máquinas de ensilar pelas grandes automotrizes de cortar milho exigiu chamar novamente os vizinhos agricultores com vários reboques para ajudar na colheita. Já não vem toda a aldeia à procura do milho rei, mas como agora somos poucos agricultores, vem quase todos os agricultores de cada aldeia... e depois cada um de nós vai com o reboque ajudar a recolha da silagem do milho dos vizinhos que nos ajudaram... ou da silagem de erva... e da "festa" da desfolhada de antigamente passámos para um almoço-convívio de trabalho, na casa de casa um ou no restaurante mais próximo.”


No último desses almoços de silagem deste ano de 2023, numa mesa de restaurante reservada como “lavrador – 8 pessoas” (achei este detalhe delicioso como a comida), aqui numa freguesia vizinha, fiz uma sondagem e confirmei que 90% dos agricultores dessa freguesia colhem o milho para silagem desta forma, em equipa, em “sociedade”.


As “sociedades de silagem” procuram-se constituir entre agricultores de proximidade, amizade, família e dimensão aproximada (não seria justo pedir ao vizinho para me ajudar a guardar 20 hectares em dois dias se ele apenas vai precisar da minha ajuda em metade da área e do tempo). 


Trabalhar desta forma permite-nos conviver (muito importante para quem passa muitas horas sozinho no trator ou com os animais), aprender formas diferentes de executar as tarefas rotineiras e rentabilizar o equipamento que temos (tratores e reboques). Trata-se de um negócio de “troca direta”, não é uma forma de solidariedade como acontece quando alguém é vítima de uma doença, de um acidente ou tempestade em que os vizinhos se juntam para ajudar.


As opções de fazer a silagem sozinho com o equipamento que já temos ou contratar a prestadores de serviços o “trabalho completo” da silagem também são igualmente legítimas, respeitáveis e podem ser economicamente as mais corretas. No imediato, fica mais barato pagar todo o trabalho do que investir num trator e num reboque grandes que vão trabalhar poucas horas. Além disso, nas horas em que vamos trabalhar para os vizinhos deixamos para trás o cuidado dos animais e outras tarefas necessárias. São tudo fatores a considerar, todas as opções são legítimas e devemos ponderar e respeitar as escolhas que cada agricultor faça em liberdade. Há muitas regras que os agricultores são obrigados a respeitar, por causa do ambiente, das alterações climáticas, da segurança alimentar e do bem-estar animal, regras obrigatórias para receber as ajudas da PAC, mas na forma de colher o milho ainda podem fazer escolhas como empresários livres! Boas colheitas, bons trabalhos, bons convívios, com os colegas, com os amigos ou com a família. E boas festas!


(escrito para o Mundo Rural Novembro Dezembro 2023)

sábado, 18 de novembro de 2023

Os tostões da agricultura e os milhões da CEE

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Antigamente todos eram agricultores ou vizinhos de agricultores. Hoje os consumidores estão cada vez mais distantes dos agricultores e nós, agricultores, temos de comunicar com eles para mostrar como cultivamos a terra e criamos os animais para produzir os alimentos que eles precisam de comprar e nós precisamos de vender. Precisamos uns dos outros.
Mostrar o trabalho na agricultura implica mostrar máquinas e tratores. Os vídeos com as máquinas em funcionamento despertam atenção e a mecanização da agricultura tem já uma longa história de que nos podemos orgulhar e que devemos mostrar. Para apresentar um exemplo dessa evolução, divulguei um pequeno vídeo com os tratores da minha empresa agrícola: Uma relíquia de 1963, um clássico de 1980 e os quatro tratores mais recentes de 1998, 2004, 2017(usado de 2010) e 2022 (usado de 2019).
Entre muitas reações positivas, tive uma questão em jeito de provocação: “Esses tratores foi você que comprou ou foi a CEE?” E eu lá respondi que os dois mais velhos foram comprados pelo meu pai antes de Portugal aderir à CEE, para o terceiro recebi um apoio de 25% dois anos após a minha instalação como jovem agricultor e os últimos três (sendo os dois últimos em segunda mão) foram comprados sem apoios ao investimento. As pessoas ouvem falar de muitos milhões e depois pensam que isto é tudo oferecido.
Num mundo ideal os agricultores recebiam sempre um preço justo pelos produtos capaz de cobrir os custos de produção e remunerar o trabalho e o capital investido de modo a permitir novos investimentos. No mundo ideal também não havia guerras, fome, seca ou inundações.
No mundo real, houve fome na Europa depois da segunda guerra mundial. Por isso foi criada a União Europeia e a Política agrícola comum com apoios à produção para acabar com a fome. Quando a PAC (a única política verdadeira europeia que se sobrepõem às políticas nacionais) permitiu à Europa trocar a fome pela fartura, foi necessário controlar a produção, apoiar as perdas de rendimento dos agricultores e incentivar os jovens a investir e fixar-se na agricultura. Hoje as ajudas da União Europeia estão orientadas para manter a agricultura protegendo o ambiente e evitando as alterações climáticas.
Sempre que há problemas no setor, naturalmente os agricultores queixam-se e os governos anunciam “milhões” para ajudar e anunciam várias vezes esses “milhões”: Quando decidem a ajuda, quando publicam a lei, quando abrem as candidaturas e quando entregam as ajudas. E os cidadãos europeus, com a “barriga cheia” de comida barata que a PAC permite, revoltam-se e invejam os “milhões” dos agricultores. Esquecem-se que também os avós deles foram agricultores ou descendentes de agricultores, mas deixaram o setor porque era duro e dava pouco rendimento, foram à procura de uma vida melhor na cidade ou no estrangeiro e os “milhões” não são suficientes para fazer os netos voltar para a “aldeia” e para a “lavoura”.
Os “milhões” da CEE, agora UE, União Europeia, não ficam no bolso dos agricultores. Servem para pagar os fatores de produção e as despesas com colheitas e sementeiras. Quando sobra algum, ou mesmo quando não sobra mas tem que ser, servem para ajudar a comprar os tratores e máquinas de que o agricultor precisa. Ou as reparações das máquinas. Ou as obras nos estábulos para melhorar o bem-estar animal, ou os novos equipamentos de rega ou qualquer outro equipamento. O “dinheiro da agricultura” vai para a economia rural, para pagar os braços que ajudam os agricultores de hoje a produzir mais do que produziam os antigos com muito mais gente disponível. Quando esse dinheiro falta ou se atrasa, falta para todos.
A cada sete anos, a Europa faz uma revisão da PAC, arrastam-se as negociações e a nova PAC que resulta nunca é o desejado mas costuma ser um pouco melhor do que a proposta inicial. Devemos um agradecimento a todos os que trabalham ao longo dos anos nessas difíceis negociações.
A PAC evoluiu e tem agora um conjunto de eco-regimes para proteger o ambiente. A intenção era boa, mas o resultado foi complicado de colocar no sistema informático onde se fazem as candidaturas. Veremos como será a implantação no terreno. Uma dificuldade que se começa a notar são os terrenos sem contrato de arrendamento ou mesmo contrato de comodato, mesmo sem renda declarada. Por diversos motivos, por questões familiares, por medo de perder a terra, muitos proprietários tem medo de assinar papeis a declarar a cedência da terra e assim não é possível cumprir as regras dos ecorregimes ou receber a ajuda direta por milho grão ou milho silagem. A produção de leite, de milho e em geral todas as produções agrícolas são negócios de “tostões” sujeitos a muitos imponderáveis do clima e do mercado e não podemos desperdiçar as ajudas que tanto trabalho deram a negociar. Ficamos com a fama dos “milhões” e sem o proveito.
(escrito para a edição anual da Revista Agrotejo nº 33 - Novembro 2023)

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Produzir leite com robô - reportagem para TV Agro - Colombia

 


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Nos primeiros dias de abril dei uma entrevista a um canal de televisão da Colômbia que veio à Europa, a TV AGRO Te acerca al campo, mostrando a produção de leite. É uma espécie de "TV Rural" da América Latina no século XXI. As imagens com drone estão muito boas e o resultado é uma boa síntese da mensagem que eu queria passar. O vídeo completo, com 25 minutos, está disponível aqui: 


https://www.youtube.com/watch?v=BnpELuH1VLk&t=293s


"Senhores telespectadores, despeço-me com amizade"... Até à próxima publicação.

domingo, 5 de novembro de 2023

Desviar o olhar do objectivo inicial

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Na edição 41 da Revista Vaca pinta, Xabier Iraola Arrigezabala escreve um artigo de opinião que todos os agricultores e responsáveis cooperativos e associativos deviam ler e meditar, para melhorar, sem receio de que seja uma “boca” dirigida a si ou um texto de alguém com ambição de ocupar algum cargo em Portugal. Vou partilhar aqui um resumo. O texto completo e original de “Desviar la mirada” está disponível online na “portada” da Vaca Pinta.


Xabier diz-nos: “Li com espanto o relatório sobre as perspetivas do efetivo pecuário para 2031, elaborado pelo Conselho das Câmaras de Agricultura de França, que prevê uma diminuição assustadora do número de bovinos. Segundo o relatório, o efetivo de vacas em aleitamento (…) vai reduzir 33% e o rebanho leiteiro 22%.
(…) Haverá quem pense que a queda do número de cabeças será compensada pelo melhoramento genético. Na minha opinião, até eles sabem que nem o melhoramento genético, que é necessário, compensará o desaparecimento das explorações agrícolas nem a redução drástica do efetivo pecuário.
Receio, no entanto, que os responsáveis pelas estruturas cooperativas, comerciais e industriais, em vez de se preocuparem com o futuro dos criadores de gado, estejam, de facto, alarmados com o seu próprio futuro.” (…)
Xabier considera que a situação em Espanha é igual, tendo em conta o envelhecimento do setor agrícola. E eu acrescento que Portugal está igual ou pior. Continua Xabier: “O alarme está a soar nos gabinetes de algumas destas estruturas e algumas consideram, como as grandes empresas alimentares, que, para manter as suas instalações de produção no máximo rendimento e o seu pessoal intacto, devem descer ao campo, comprar explorações agrícolas e/ou estábulos e contratar mão de obra, o mais barato possível, a fim de obterem as matérias-primas com que podem manter a sua estrutura e os seus compromissos comerciais com os seus clientes e, em particular, com as grandes cadeias de distribuição.
Neste momento, mais do que um de vós pode perguntar-se por que razão chegámos a este ponto em que temos uma rede agroalimentar cooperativa, comercial e industrial que funciona, enquanto a rede produtiva constituída por milhares de agricultores e criadores de gado que fornecem as cooperativas, as empresas comerciais e industriais está a diminuir gradualmente, mas sem parar, e, o que é pior, ninguém consegue ver uma saída para a situação.


A razão para tal, na minha modesta opinião, (…) é que os objetivos fundadores de muitas estruturas, de criar valor acrescentado para o produto e, assim, transmiti-lo aos produtores que dão sentido à cadeia, passaram para segundo plano e, por isso, atualmente, o que prevalece são os interesses e as prioridades dos funcionários e dos gestores destas estruturas e não os interesses dos criadores de gado, os compromissos com os clientes prevalecem sobre os compromissos com os fornecedores que são os seus agricultores, a saúde financeira das estruturas prevalece sobre a microeconomia das explorações e a manutenção do pessoal das estruturas prevalece, mesmo que seja à custa da redução drástica do sector pecuário.
Em suma, o que está a acontecer é porque desviámos o olhar do objetivo inicial e porque, ano após ano, ignorámos o produtor. É tempo de olhar os agricultores nos olhos."


https://vacapinta.com/es/opinion/desviar-la-mirada.html

domingo, 29 de outubro de 2023

Se o Ronaldo e o Pepe fossem agricultores ainda eram jovens

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Esta semana Pepe tornou-se o mais velho jogador de campo a atuar na Champions. Tem 40 anos. Ronaldo tem 38 e dizem que está velho, mas marcou mais uns golos lá nas Arábias. Chamar velho a um “rapaz” que tem menos 10 anos do que eu faz-me impressão. Deve ser da idade…


 


Há alguns anos (ia escrever muitos, mas isso faz-me velho), no programa “Parabéns” que tinha na RTP, Herman José, para celebrar Alfredo Marceneiro, entrevistou um neto do fadista.


- O que faz na vida?


- Sou reformado do cinema. 


- Que idade tem?


- 48.


- Se fosse agricultor ainda era jovem!


 


Herman exagerou, mas pouco. Em Portugal podemos ser “jovens agricultores” até aos 40 anos. Isto significa que podemos “instalar-nos” ou melhor, apresentar ao Ministério da Agricultura um “projeto de instalação e investimento” até ao dia anterior a completar 41 anos. Depois de muita burocracia e com a formação exigida, podemos receber um “prémio de instalação” a fundo perdido, uma majoração nas ajudas e prioridade no acesso a essas ajudas. No meu tempo (valha-me Deus, já pareço mesmo um velho a falar) eram 30.000 euros e 10% de majoração, não sei quanto é agora, mas não deve ser suficiente para o Pepe e o Ronaldo se “reformarem” do futebol.


 


Há algumas razões para este limite de “40 anos”, quando se costuma considerar 30 anos a idade limite para ser “jovem”. Isto foi um pedido à Europa dos países do Sul, porque a instalação de um jovem agricultor ocorre por sucessão, portanto é preciso esperar que o pai se reforme.


Em Portugal os agricultores costumam ser como as árvores – morrem de pé. Trabalham até não poder mais. Isto acontece por necessidade, porque as pensões de reforma são muito baixas, mas às vezes também por teimosia, por quererem continuar a mandar na empresa agrícola até não poder mais. Deixar o “poder” é difícil. Preparar essa transição é um desafio.


 


Eu instalei-me como 21 anos, tive estatuto de “jovem agricultor” até aos 26 e ter o meu pai por perto, umas vezes a aconselhar-me, outras vezes irritado por eu tomar decisões diferentes,quase sempre a ajudar-me, foi um grande desafio mas foi muito importante para chegar até aqui.


 


Só 4% dos agricultores portugueses tem menos de 40 anos. Por causa das dificuldades da instalação mas sobretudo porque os jovens não veem na agricultura uma atividade rentável. Penso que somos o país com os agricultores mais velhos da Europa. Isso é bom, é sinal que duramos muito, mas é mau porque faltam jovens. Preparar esta renovação é um desafio que temos de assumir, fazendo a nossa parte. Voltarei a este assunto, quando for mais velho. Quando alguém era “muito novo”, o meu pai dizia "isso é um defeito de que a pessoa se corrige todos os dias".


#carlosnevesagricultor

sábado, 28 de outubro de 2023

Uma vaca especial

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Em conversa, há alguns dias, alguém me sugeriu a hipótese de lançar novas bebidas com leite e a propósito disso eu lembrei-me de uma velha história😀:


Num convento, a madre superiora, já muito velhinha, estava doente, acamada e deixou de se alimentar.
Numa noite em que estava pior e todas as freiras já estavam à sua volta, uma irmã levou-lhe um chá mas ela nada bebeu. No regresso à cozinha, essa irmã lembrou-se de uma bebida (não sei se era bagaço ou vinho do Porto) que o pai lavrador lhe tinha mandado, aqueceu um copo de leite, juntou a bebida e levou à doente. Deu-lhe a provar, primeiro umas gotas, depois uma colher... A doente abriu os olhos, sentou-se no leito como não fazia há muito tempo, bebeu tudo consolada e mostrou vontade de falar. As irmãs prestaram muita atenção àquelas que podiam ser as últimas palavras:
- Minhas filhas, nunca vendam esta vaca!!!😅😅😅

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Botas d' água

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As galochas são um acessório essencial para o trabalho diário na vacaria e o trabalho agrícola em tempo de chuva. Aqui em casa chamávamos "Botas d' água".



Descalçar e arrumar estas botas cheias de lama sem molhar as meias ou sujar o chão é uma tarefa que pode ser facilitada com o sistema que vi hoje de manhã na página Farming Uk. Fica aqui a partilha, para quem quiser fazer ou comprar igual.



Antigamente só podíamos escolher entre galochas baratas da feira ou as "Pinta Amarela", resistentes e pesadas. Um dia, em visita ao SIMA, feira agrícola de Paris, encontrei umas galochas com tecnologia inovadora, com ar dentro da borracha, que pensavam menos um kg e eram mais quentes e confortáveis. Tinham um importador para Portugal.



Fui de propósito a Águeda comprar botas e trouxe a mala cheia para mim e para alguns colegas. Mais tarde essas botas passaram a estar disponíveis no balcão da nossa cooperativa e hoje o seu uso está vulgarizado, para bem da nossa coluna e das nossas articulações.


Invistam em bom calçado e meias confortáveis. É meio caminho andado para terem saúde e boa disposição.

domingo, 22 de outubro de 2023

Tiro às vacas

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Algures na década de oitenta, quando não havia redes sociais, nem Internet, nem televisões privadas, passou no canal 1 da RTP a primeira novela de que me recordo: “O bem-amado”. Não se lembram? Eu também já tinha esquecido o nome, mas bastou-me pesquisar o nome do personagem principal: “Zeca Diabo”, interpretado por Lima Duarte, mais tarde consagrado como “Sinhozinho Malta” no “Roque Santeiro”.


Ainda recordo as primeiras imagens: Dois homens carregam um defunto num enxerga. Não havia cemitério naquela pobre terra. Paulo Gracindo, o “Coronel Odorico”, candidatou-se a prefeito (presidente da câmara). “Povo de Sucupira…”, começavam assim os discursos. Prometeu construir um cemitério. Ganhou as eleições e fez o cemitério, mas ninguém morria e não o conseguia inaugurar. Desesperado, conseguiu que Zeca Diabo, um perigoso pistoleiro, voltasse à terra e foi tentando arranjar sarilhos para morrer alguém e inaugurar o cemitério, tendo a oposição da “Delegada”, mulher do Delegado que estava paralítico, de um médico com problemas de bebida e de mais gente que compunha a trama e não faz agora aqui falta para o que quero explicar.


Lembro-me desta história muitas vezes para ilustrar coisas que começam com boa intenção e depois fogem ao controlo e à intenção inicial. Por exemplo, alguém decide lançar uma bebida vegetal alternativa ao leite, porque há pessoas que são intolerantes ou alérgicas. Ou lançar uma “carne artificial”, feita em laboratório, porque lhes dizem que isso vai emitir menos carbono. Ou, muito simplesmente, porque é um investimento que vai dar dinheiro (o que é legítimo). Mas depois é preciso vender. E para vender um novo produto, ou para aumentar as vendas de um produto com pouca saída, há um truque velho que se usa na política, em todas as sociedades e até entre as crianças desde a idade escolar: puxar os outros para baixo para tentar subir. Por exemplo, dizer que o leite faz mal. Dizer que as vacas libertam carbono e, estrategicamente, esconder que a erva que elas comem, que fertilizam com os seus excrementos, que o agricultor semeou, foi quem captou esse carbono. 


Agora imaginem que quem investiu nesses novos “produtos alternativos” foram pessoas com muito dinheiro, atores e realizadores de filmes, capazes de fazer ou financiar documentários a deitar a culpa para as vacas de modo a que as pessoas troquem a carne e o leite pelas alternativas que as empresas querem vender… E pelo meio disto há uns “Zecas Diabos”, que agora não são pistoleiros mas “ativistas”, muitas vezes com até com a melhor das intenções, mas a quem deram informação deturpada para os fazerem “atirar”, (atacar, criticar) as vacas que foram domesticadas e vivem em harmonia com os humanos há 10.000 anos… Agora são as vacas, entretanto serão as galinhas para alavancar os ovos artificiais e por aí fora... 


Não quero agora aqui abrir um tiroteio contra os ativistas que, como disse, agem muitas vezes com a melhor das intenções. Quero apenas apelar ao bom senso e sentido crítico de todos, todos... em relação às mensagens que nos chegam pela comunicação social ou pelas redes sociais. Pensem nisto. 


#carlosnevesagricultor

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Nasceu uma vitela

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Nasceu a noite passada.


- Parece um dálmata!


Pois fica batizada Dálmata. Tem o número de casa 741 e o número oficial a terminar em 9204. Já tem brinco e está registada porque hoje era o dia de contraste (controlo) leiteiro e o Sr. Maia, contrastador, é também agente identificador. Antigamente o Sr Maia teria uma trabalheira a desenhar todas aquelas pintas (cada vaca holstein tem um desenho diferente, como se fosse impressão digital). Agora tem uma aplicação no telemóvel e tira uma foto e em pouco tempo o animal está registado na base de dados do SNIRA - Sistema Nacional de identificação e registo animal.


Esta vitela nasceu sem precisar de ajuda. 70% dos partos aqui na vacaria não precisam de ajuda. Sorte? Tive um professor que escrevia sempre no fim dos testes: "Boa sorte. A sorte sorri aos que estudam". É preciso muito trabalho para não abusar da sorte.


Antigamente os partos das vacas eram mais difíceis. Hoje, graças à inseminação artificial, ao trabalho do Sr. Maia e de muitos como ele em todo o mundo, podemos utilizar na reprodução das vacas "touros de parto fácil", isto é, cujas crias são mais pequenas ao nascer. Isso é o resultado da recolha e registo de dados para ir melhorando a raça escolhendo os melhores exemplares de geração em geração.


Além disso, na inseminação artificial podemos usar "sémen sexado", com 90% de hipótese de nascer fêmea, e as fêmeas são quase sempre mais pequenas e de parto mais fácil.


Pelo contrário, ter um touro de cobrição numa vacaria seria perigoso para vacas e para os tratadores. Se os animais estiverem em regime extensivo, sempre em pastagem, pode ser diferente e ser o esse o método mais indicado, mas para a produção de leite a inseminação artificial foi um grande avanço, que se vulgarizou talvez há 50 anos.


Lembro-me de ter quatro ou cinco anos quando veio do Porto, com o vidro do carro partido (por isso me lembro) o inseminador dos serviços oficiais num volkswagen carocha azul. Hoje os inseminadores são os produtores ou funcionários de empresas privadas ou cooperativas. Um avanço na melhoria genética dos animais, na produção, no bem-estar animal e no bem-estar dos criadores.


#carlosnevesagricultor

domingo, 15 de outubro de 2023

60 anos do nosso trator Fordson

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15 de Outubro. Dia da mulher rural, dia em que terminei as sementeiras, dia em que veio chuva... Tudo motivos para celebrar, mas o que me fez ir para a cozinha fazer um bolo como não fazia há muito tempo foram os 60 anos do nosso Trator Fordson Super Dexta 45. O primeiro trator da nossa casa. Imagino a alegria que deve ter sido conseguir comprar o primeiro trator. O meu pai já tinha um motocultivador (que aparece na segunda foto, num cortejo etnográfico em Vila do Conde, a demonstrar a cultura do trigo) mas os vizinhos que ainda lavravam com bois riam-se dele.
Não sei porque escolheu esta marca, não há outro igual na nossa terra, mas venderam-se bastantes em Vila do Conde e alguns ainda trabalham.
Depois lavrou o meu pai alguns anos para fora, para outros agricultores, até porque a "casa de lavoura" era pequena. Já no meu tempo, "acartou" e calcou muita silagem (com embraiagem simples, não estou a ver funcionar com a máquina de ensilar). Em 2008, quando subiu o preço do leite, teve direito a reparação do motor e pintura pelo Sr Afonso, mecânico em Rio Mau (que penso que já o tinha reparado em 1980). Em 2009, quando o preço caiu a pique, levei o trator à manifestação na Póvoa.
Não celebramos uma máquina, celebramos a nossa história e de todos os que trabalharam e trabalham pelo desenvolvimento da agricultura.
#carlosnevesagricultor
#fordson

Última sementeira

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Hoje nesta manhã de domingo, recebi um telefonema da minha esposa:
- Onde estás?
- A passar em frente à igreja.
- Foste ao pão?
- Fui semear o pão. Espera um bocadinho…


Não, não havia missa a essa hora e também não dão pão na nossa igreja (mas para quem tiver interesse, às vezes dão o pão de S. António no fim da missa da igreja de S. Donato, aos domingos às 16, no antigo convento franciscano da Azurara).
O que se passa é que costumo ir buscar pão ao domingo de manhã e há uma padaria em frente à igreja de Árvore.
Mas hoje, em vez de ir ao pão, despachei a alimentação das vacas e dos vitelos, pedi aos meus primos um bocado de semente como quem pede um raminho de salsa à vizinha e fui semear o cabeceira da ultima sementeira de erva deste ano.
Semeei debaixo das primeiras gotas de chuva e dos últimos kg de pó. Agora "Deus ponha a virtude porque eu já fiz o que pude".
Costuma dizer-se por aqui que "os lavradores tem os bens ao luar", pensando nas bouças que podem arder ou ser roubada alguma madeira, mas também as nossas sementeiras estão dependentes do tempo. O ano passado começou a chover a 16 de Outubro e só parou em Fevereiro. Houve terrenos que não consegui semear ou semeei tarde e a produzir pouco. Este ano preveni-me e andei mais cedo, mas também estou a arriscar. Em Ponte de Lima ou mesmo aqui noutras freguesias de Vila do Conde, como Arcos, já houve enxurradas a destruir sementeiras. Não há como fugir, o risco faz parte da nossa atividade, mesmo que a gente use "cinto e suspensórios". S. Pedro, manda lá a chuva de mansinho, se faz favor!
#carlosnevesagricultor


 

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

As castanhas da Bouça Aberta

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Tinha previsto semear este campo, a "Bouça Aberta" , apenas no fim do mês, mas este sábado de sol e a previsão de 10 dias com muita chuva fizeram-me antecipar os planos. Ao chegar ao campo, percebi que precisava de mais uma passagem de grade antes da sementeira. Liguei ao Hugo para vir ao campo fazer esse trabalho e, enquanto esperava, recuei quase 40 anos e fiz o que fazia enquanto esperava pelo meu pai com o reboque cheio de silagem: fui apanhar castanhas. Os castanheiros da bordadura dos campos já não são os mesmos, porque alguns secaram e outros foram cortados porque davam mais prejuízo com a sombra sobre o milho do que vantagem com as poucas castanhas que nos tocavam, mas, entretanto, das cepas dos velhos castanheiros, das castanhas que caíram e de alguns que plantei, há novos castanheiros e novas castanhas que havemos de assar e comer amanhã, depois de terminadas as sementeiras. A vida renova-se e continua.


#carlosnevesagricultor

Sentir agricultura



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A Luísa Maia pediu-me opinião sobre a visita de Luís Montenegro a Vila do Conde no âmbito da iniciativa "Sentir Portugal". Como podem adivinhar, sugeri a visita a uma vacaria. A minha sugestão foi aceite pelo PSD a nível local e nacional mas não foi possível concretizar no local que sugeri. Tocou-me a mim e foi com muito gosto que aceitei o desafio de receber a comitiva com o presidente do PSD, os deputados Paulo Ramalho, Afonso Oliveira, Sofia Matos e Andreia Neto bem como  outros responsáveis a nível local e nacional.

Pude mostrar e falar da nossa agricultura e da forma com cultivamos os campos e criamos os animais para produzir alimentos.

Em Vila do Conde produzimos cerca de 200 milhões de litros de leite por ano, o que é mais de 10% da produção nacional.

A agricultura não é importante apenas pela produção de alimentos, ocupação do território, modelação da paisagem ou proteção de incêndios (onde há vacas há menos incêndios). É a atividade económica motor do meio rural e muita gente trabalha antes dos agricultores. Por exemplo, estive a fazer contas e aqui em Vila do Conde temos cerca de 100 pessoas a trabalhar nas empresas que vendem e são assistência aos tratores e máquinas agrícolas. É toda essa economia que depende do preço do leite e das ajudas que a Europa dá para compensar os agricultores pela perda de rendimentos.

A comunicação social presente destacou os assuntos que estão na ordem do dia deixando a agricultura para segundo plano, mas um texto da agência Lusa reproduzido em vários meios referiu:

"Numa das mais importantes bacias leiteiras do país, o dirigente do Partido Social Democrata reiterou críticas ao governo, nomeadamente à ministra da agricultura, que acusou de estar “de costas voltadas” para o setor.



“A agricultura tem sido um parente pobre da política deste governo. Temos uma ministra que vive de costas voltadas para os agricultores, e ninguém no setor consegue ter um diálogo permanente com ela. Há grandes constrangimentos, excessos de burocracia e atrasos nos pagamentos dos apoios”, afirmou.

O presidente dos social-democratas lembrou que a “pandemia e as guerras trouxeram um aumento dos preços dos fatores de produção”, afirmando que o setor “necessita de políticas públicas que lhe dê sustentabilidade”.

“Apesar de todos estes problemas, fico satisfeito termos agricultores que tentam contrariar estas dificuldade. É um muito importante para a nossa economia, tanto na criação de riqueza, como na ocupação do territorial e na contribuição para nossa soberania alimentar”, concluiu Luís Montenegro.“



Obrigado a todos os que proporcionaram esta oportunidade de comunicar agricultura e a quem ajudou a preparar esta visita em tempo de sementeiras, em particular à minha esposa Carina.

#carlosnevesagricultor 

(fotos de Carina Ribeiro, Júlio Gonçalves, PSD Vila do Conde (Inês Silva) e PSD Nacional) 

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Na Igreja, na agricultura e na vida há coisas que só conseguimos em grupo

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A foto da alegria do Lourenço, em cadeira de rodas, a ser levantado pelos amigos para ver o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude tornou-se viral e fica na memória desta JMJ. Vemos um jovem feliz porque os outros jovens à sua volta, seguindo o lema “Maria levantou-se apressadamente e partiu” (para cuidar de Isabel), também se levantaram, não para registar o papa no seu telemóvel, mas para erguer Lourenço. Um exemplo de alegria de viver, da alegria de servir, daquilo que nós devíamos ser e gostávamos de ser todos os dias.


Eu cresci no seio de uma família religiosa, mas durante a infância, para além da catequese a minha fé era vivida através da reza diária do terço em família depois do jantar, “botado” pela avó Esperança, e pela ida à missa de domingo, na igreja matriz de Vila do Conde ou na “Igreja do Barco” (Senhor dos Navegantes) nas Caxinas. Antigamente, muito lá para trás, os lavradores iam à primeira missa da manhã na sua paróquia. Porém, nas últimas décadas, aqui na zona, com a produção de leite, surgiu a rotina de levantar, fazer a ordenha, “arrumam o gado” e só depois tomar o pequeno-almoço e ao fim da manhã ir à missa. Além dessa dificuldade, havia outra que levava a minha família a ir a missas fora da paróquia. O padre, já idoso, tinha mau relacionamento com a minha família porque tinha medo de que o meu tio Padre Carlos, missionário comboniano em África, voltasse para padre diocesano e lhe tirasse o lugar, não o deixava celebrar missa aqui na terra quando vinha de férias e terá dito que só o deixaria fazer o funeral da minha avó. Depois vieram outros padres e a igreja tornou-se mais acolhedora.


Nos anos em que estava em Portugal, o “Tio padre” passava as férias de verão em nossa casa, o que me permitia fazer férias na praia “a sério” ao acompanhá-lo e também me ajudou a crescer na fé. Uma vez, estávamos no terraço, perguntei ao meu tio quantas ordens religiosas e movimentos existiam na igreja. Com um sorriso nos lábios e um apurado sentido de humor, respondeu-me “Olha, Carlos, são tantos que se diz que nem Deus sabe…”


Quando fiz 15 anos, num fim de semana de outono, o meu pai levou-me a um curso de animadores de jovens de um desses movimentos, a Acção Católica Rural (ACR). Tanto o meu pai como a minha mãe tinham feito parte da Juventude Agrária Católica nas freguesias de origem até se casarem.


Passados alguns meses após o curso, comecei um grupo de jovens na paróquia e integrei depois a Equipa Diocesana da ACR e a Equipa Nacional. Nunca fui a uma jornada mundial da juventude, mas durante cerca de 15 anos, em equipa, organizei acampamentos, Campos de férias, viagens, por exemplo à Expo98, convívios e momentos de oração e formação. A formação podia ser pontual ou organizada em encontros mensais na Escola Diocesana de Animadores da ACR, dinamizada pela Glória Costa, da qual recordo uma frase: “Sem um grupo és um órfão!”


Com o passar dos anos reduzi a minha participação ativa na ACR e envolvi-me em diversas associações agrícolas, para onde levei muito do que aprendi na ACR. Em grupo, tomámos posições, fizemos manifestações, organizamos viagens e momentos de formação.


Voltando às jornadas da juventude, todos os momentos extraordinários que vivemos e assistimos só foram possíveis com o trabalho de preparação e execução de milhares de grupos, nos países de origem dos peregrinos e em todas as dioceses de Portugal incluindo o grupo de amigos que levou o Lourenço e o levantou do chão para ver o papa. Sozinho, nenhum dos amigos o conseguiria levantar. São membros de um GRUPO, curiosamente chamado “Tudo à pressa” que organiza atividades e campos de férias.


A propósito da JMJ, da igreja e da religião, há muita gente que se afirma crente em Deus, mas vive a sua fé em privado e individualmente. É uma decisão livre que devo respeitar sem qualquer tipo de censura ou “olhar de cima”, mas tenho a obrigação de explicar, pelo meu testemunho, que em grupo organizado vamos mais longe, fazemos mais coisas e sentimo-nos mais apoiados. Na Igreja, no caminho de Fátima ou Santigado de Compostela, na atividade agrícola e na vida em geral, os grupos informais, associações, cooperativas exigem de nós um esforço de participação, um contributo com as nossas capacidades e a aceitação das opiniões dos outros, mas permitem-nos fazer mais, dar mais e receber mais. “Sozinhos vamos mais rápido, juntos vamos mais longe”.


Na Igreja há lugar para todos e há muitas opções diferentes, muitos grupos diferentes entre as ordens religiosas e movimentos de leigos que “são tantos que nem Deus sabe”. Há muitas opções para quem se quiser integrar. Em grupo a fé cresce mais. Em grupo temos oportunidade imediata de colocar em prática o “amor ao próximo”, o perdão e a ajuda. Há coisas que só alcançamos em grupo.


Escrito para o Mundo Rural de Setembro / Outubro de 2023




domingo, 17 de setembro de 2023

As minhas aventuras na produção de milho grão



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Chove lá fora. Seria uma “bela” tarde de domingo se não houvesse ainda milho, uvas e outras colheitas para guardar, mas vou aproveitar este tempo livre para vos contar umas coisas, porque o milho deste ano dava um filme! O texto ficou mais comprido do que o costume, mas como hoje é domingo eu tive mais tempo para escrever e vocês tem mais tempo para ler.

Fiz as primeiras sementeiras das parcelas destinadas a milho grão entre 17 e 18 de abril, com um milho “ciclo 400” que permite uma produção razoável mas relativamente precoce. Esteve bom tempo. O milho nasceu bem e cresceu sem os ataques dos insetos do solo (roscas e alfinetes) que atacaram outras parcelas do milho para silagem semeado no início de maio.

Deixei para trás o “Campo da Bouça” (herdado do lado da minha mãe) que fica em Rio Mau, a 12 Km de distância. A estrada é boa e, se não houver engarrafamentos a passar Vila do Conde, a viagem faz-se em pouco mais de 20 minutos. Fui semear essa parcela na manhã de 28 de abril, antes de partir para a Ovibeja. Levei o semeador com um trator que tinha chegado da oficina poucos dias antes. Cheguei ao campo, liguei a tomada de força e desligou-se por erro no sensor de movimento. Tentei várias vezes. Tinha funcionado bem no dia anterior. Tentei o truque dos informáticos: desliguei o trator, esperei uns segundos e voltei a ligar. Igual. Liguei para o mecânico chefe da oficina. Ao contrário do habitual, não atendeu. Era quase meio-dia. Fui pedir emprestado um trator dos meus primos que habitam a casa dos meus avós maternos que fica ao lado do campo. Emprestaram-me o trator e ofereceram-me almoço, de que recordo umas entradas com alheira de javali, um queijo especial e uma sobremesa de salada de fruta com gelado (repeti a receita da sobremesa nos meses seguintes, sabe bem mas engorda…). Dias mais tarde, deixei o trator na oficina para reparar a avaria. Ligaram-me ao fim de 10 minutos. Problema resolvido, era só a ficha do sensor que tinha ficado mal ligada na reparação anterior e saiu com a vibração da viagem.

Fiz a sementeira no meio do pó mas cumpri um desejo de infância: conduzir um Massey Fergusson da série 300. Nós tínhamos e ainda temos um MF265 (sem sensores de movimento na tomada de força!!!). Ainda me lembro do cheiro a novo na garagem em dezembro de 1980, na altura era a marca mais vendida em Portugal e ainda me lembro quando foi lançada a nova série 300 e como sonhei que o meu pai comprasse um trator desses ou da série 3000, com cabine e ar condicionado. Quem está de fora não imagina como os miúdos filhos dos “lavradores” gostam da marca de tratores como se fosse o clube de futebol e sonham com um trator novo do último modelo. E os mais velhos também, porque a gente cresce (ou nunca cresce) e os brinquedos (tratores) também…

Metade dessa sementeira cresceu bem, a segunda metade correu mal, não por causa do almoço mas por causa de ter usado um saco de semente que sobrou do ano passado e já tinha menos capacidade de germinação. Noutros anos e com outras variedades correu bem, mas fica para aprender. Adiante. Semanas mais tarde, nesse e nos outros campos mais próximos fiz a “monda química” com herbicida, depois fiz a sacha com adubação, deixei a rega da maior parte desses terrenos por conta de S. Pedro (vantagem de semear cedo) e fiz rega gota a gota numa parcela arenosa que nada produz se não regar. Regularmente fui visitando os campos porque “o olho do dono engorda o boi”.

Tinha previsto fazer a colheita no final de setembro, como habitual, mas, com o milho silagem já guardado, fui ver os campos com mais atenção e apercebi-me que as espigas de milho grão no campo da “Bouça Aberta” já estavam dobradas para baixo. Colhi algumas espigas e liguei aos técnicos da União de Cooperativas. Estava com 18% de humidade. Noutras parcelas, 23%. Para conservar ou ser usado nas rações o milho deve estar a 14% de humidade, mas a colheita deve ser feita à volta dos 20%, para melhor rendimento da máquina sem desperdício de milho. Falei com os responsáveis do secador e agendei com o prestador de serviços a colheita para esta quinta-feira que passou, prevendo fazer o transporte com 2 tratores e reboques. No dia anterior fico a saber que a máquina tinha uma avaria impossível de reparar a tempo. Tínhamos dois dias de bom tempo pela frente antes da chuva prevista para sábado e do temporal deste domingo. Teimei. Foi quando publiquei um desenho sobre “Nunca se render”. Procurei uma segunda alternativa, não estava disponível. Procurei uma terceira opção, pessoa impecável e disponível que consegue atender o telefone numa debulhadora sem cabine mas o trabalho e as avarias não correram como o desejado. Falo com outra pessoa, tem a máquina avariada mas indica-me outro que poderá ter uma vaga. Não atendeu mas devolveu a chamada mais tarde. Bato a outra porta. Indicam-me outra pessoa. Não, afinal vendeu a máquina. Mas há outra possibilidade. Quinta-feira já estava perdida mas para sexta-feira consegui então duas máquinas que vinham fazer serviços próximos no início da manhã e podiam fazer-me o “jeito” a seguir. Que lhes ligasse às 10h, disseram-me. Preparei-me para ter duas máquinas a colher em simultâneo. Procurei transportadores com trator e reboque. Como seria de prever, estavam todos ocupados com silagens já marcadas. Pedi reboques emprestados aos amigos que não estavam a ensilar. O plano era colher de manhã e levar de tarde ao secador os reboques que ficassem cheios no outro campo. As máquinas atrasaram-se, como é normal nestas alturas. Enquanto esperava, fui tirando fotografias e incendiando as redes sociais com discussões sobre os reboques mais bonitos. Até parecia que os tinha comprado ou que estava a experimentar. Não, foram emprestados por amigos a quem fico eternamente grato.

A primeira máquina chegou finalmente por volta das 15h00. Às 15h10 avariou. Coisa simples, partiu o elo de ligação de uma corrente. Fomos à procura desse peça simples e barata (10 euros!) mas essencial. Na primeira oficina tinham quase igual, mas não servia. Encontrámos na segunda oficina (felizmente há aqui perto um lugar onde se vendem e reparam tratores e máquinas como se vende leitão na Bairrada, porta sim, porta sim). Voltámos ao trabalho. A segunda máquina chegou às 17h00 e começou a colher noutro campo. Levei o primeiro reboque ao secador ao fim da tarde. Uma máquina trabalhou até às 20h00 e ainda foi para outro lado continuar, a outra máquina andou até às 21h30. Não é fácil colher milho grão de noite com o orvalho.

Era meia-noite quando eu e o Hugo saímos da “Bouça Aberta” com os últimos reboques. Chegámos ao secador à uma da manhã, após uma viagem com o máximo cuidado nas rotunda e descidas e a velocidade possível nas subidas. Saímos meia hora depois com os reboques vazios, outro colega ainda na fila atrás de nós para descarregar e noticias de outra máquina ainda a colher no campo (ou a terminar uma reparação de avaria na oficina). Fizemos a viagem de regresso (40 minutos com o reboque vazio) debaixo da chuva que começou a cair, mais suave do que o previsto mas talvez suficiente para forçar os meus colegas a parar e descansar. O pessoal do secador trabalhou de “direta” até às 8h00.

Falta-me colher o campo que semeei mais tarde, mas consegui colher o milho que podia cair com o vento por estar demasiado maduro e outro que estava num campo ao pé do rio e a que só tinha acesso passando por outros campos que também são “lameiros” onde não podemos passar depois de chover muito.

Parece-vos extraordinário o que vos contei? São as peripécias normais da colheita do milho. É a vida normal de qualquer agricultor da minha dimensão e da minha região. Eu sou apenas um agricultor normal de tamanho médio, que procura seguir os melhores. Só me distingo por tirar umas fotos, fazer uns vídeos e gostar de escrever umas coisas, para que saibam como fazemos chegar a comida do prado ao prato e como dependemos do trabalho e boa vontade dos colegas, dos prestadores de serviços, dos mecânicos e de toda a gente que noite e dia põem o campo a mexer. Estou cansado. Foi uma semana do caraças!

terça-feira, 12 de setembro de 2023

As nossas férias como agricultores

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Durante a infância e juventude, o dia de aniversário da minha esposa coincidiu muitas vezes com os longos dias de silagem em que era preciso ajudar a família a espalhar a silagem de milho no silo de forma manual, com ganchos e forquilhas. Na minha casa era igual. Poucos anos antes de casarmos comecei a recorrer ao serviço de automotriz para cortar milho, o trabalho de espalhar ou "abrir" o silo passou a ser feito com trator, mas desde então surgiu a nova tarefa de preparar o almoço para a equipa que nos vem ajudar. Antes eram semanas de trabalho, agora é apenas um dia ou dois, mas por causa do clima, de avarias que atrasam, da maturação do milho ou da agenda apertada dos prestadores de serviços alguns dias de aniversário continuaram condicionados pela silagem. Este ano o aniversário coincidiu com um fim de semana e porque já tínhamos o silo fechado e os miúdos ainda não tinham aulas, aproveitámos para finalmente visitar a barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Europa, passando no paredão e passeando de barco desde a praia fluvial de Monsaraz até à ilha dourada. Pelo caminho visitamos uma família amiga, e na cidade de Évora visitámos o Templo de Diana, Praça do Giraldo, Capela dos Ossos, a Igreja de S. Francisco, a colecção de presépios que alberga e subimos a torre da Sé Catedral. Passámos ainda no fluviário de Mora.
Partilho estas coisas porque são bonitas, porque merecem a vossa visita e partilho também para "desafiar" muitos colegas agricultores que têm limitações como nós e trabalham ainda mais do que nós, para se decidirem também a sair e descansar um pouco com a família. É possível, é muito importante, há muita coisa bonita para ver, o trabalho fica um pouco atrasado mas sabe melhor e rende mais quando voltamos.
#carlosnevesagricultor

domingo, 3 de setembro de 2023

Parabéns aos vencedores do concurso nacional da raça frísia


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Ao fim da tarde, voltei à AgroSemana para ajudar a carregar as vitelas dos jovens manejadores no camião que as levou de volta a casa e pela primeira vez consegui ver e transmiti em directo a cerimónia de encerramento da feira.

Aproveitei dar um abraço ao António Pereira (Qualileite, Ovar) pela vaca vice-campeã e ao Eusébio Viana pela vaca campeã do concurso da raça Holstein Frísia (as vacas "turinas", malhadas pretas e brancas, às vezes vermelhas / castanhas).

Passei dezenas de vezes pelo meio das vacas do concurso estes dias e confesso que não olhei com atenção para as potenciais favoritas. Sou capaz de distinguir uma vaca com carácter leiteiro de uma raça com potencial de produção de carne mas não tenho o conhecimento apurado dos especialistas para distinguir entre as melhores vacas do concurso. Disseram-me que foi uma escolha correcta do juiz. Foi certamente um prémio duplamente merecido para o Eusébio, para a Ana Lúcia, para os dois filhos e para a Equipa que com eles veio fazer cerca de 600 km desde Odemira até ao Espaço Agros na Póvoa de Varzim, trazer 7 animais a concurso. Aliás, triplamente merecida porque é muito difícil ser produtor de leite em Odemira, com a falta de água face às necessidades da horticultura e outras atividades agrícolas com enorme importância económica e social na região. Conheço o Eusébio desde as lutas de origem da Aprolep em 2009. Comunicamos essencialmente à distância e encontram-nos poucas vezes, de tal modo que tem muito mais cabelo branco do que na última vez que nos encontramos. Espero que este prémio seja a recompensa merecida e uma ajuda para mais apoio e atenção aos produtores de leite do sudoeste alentejano. Parabéns!









sábado, 2 de setembro de 2023

Concurso de jovens manejadores na agrosemana

 


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Esteve aqui uma representação do futuro da produção de leite.


Daqui a dois anos, estas vitelas serão vacas adultas a produzir leite. 


Daqui a vinte anos, muitos destes miúdos estarão a assumir o futuro das quintas, vacarias, casas agrícolas ou "casas de lavoura". São o nosso pequeno tesouro. 


99% das empresas agrícolas dedicadas à produção de leite são detidas por famílias.Em 99,9% dos casos, é uma atividade passada entre gerações.


É muito difícil alguém vir de fora para o setor por causa dos custos do investimento inicial, do tempo necessário para o retorno desse investimento e porque a "capacidade de sacrifício", de aceitar o cheiro das vacas, os horários e imprevistos se aprendem mais facilmente desde o berço. 


Antes de chegarem a esta exibição, os "jovens manejadores" passaram semanas a lavar, preparar e treinar as suas vitelas. Um bom "treino" que os prepara para o futuro que os espera neste setor. 


Portugal tem a mais baixa taxa de jovens agricultores da Europa. Todos os anos 200 produtores abandonam o setor sem ter sucessores. Temos de pagar justo pelo leite e cuidar bem dos poucos que querem continuar. 


PS - Parabéns ao José Pedro Marinho Teixeira (de Amarante) que venceu o prémio de melhor manejador neste primeiro grupo dos mais novos. O Luís e a Estrelita portaram-se muito bem e ficaram em segundo lugar, tal com todos os outros meninos e vitelas. Correu tudo bem e ninguém se magoou, que é o mais importante.