domingo, 28 de junho de 2026

Cenas da vida de um lavrador (I) - A mulher misteriosa


Ao fim tarde, mais uma vez, fui para o campo à hora de vir. O campo fica a 400 metros da foz do Rio Ave, nas traseiras do convento abandonado de Nossa Senhora dos Anjos, convento franciscano mais conhecido pela Igreja de S. Donato. Para chegar ao campo atravessei outro campo que fica no fim de uma rua sem saída. O objetivo era juntar a erva que já estava cortada e seca ao sol ou, como nós dizemos, “encordoar”, colocar em “cordões” para fazer rolos e plastificar no dia seguinte. Cheguei ao campo e desci do trator para “armar a tenda”, que no caso consistia em montar as várias hastes do “encordoador” na posição horizontal, posição de trabalho, ficando com 4 metros e trinta de largura. Na hora de voltar a subir para o trator e começar a juntar a erva, vi uma mulher, relativamente jovem, a caminhar ao meu encontro, já depois de ter atravessado o primeiro campo. Trazia na mão uma latinha de creme nívea e dois ou três pedaços de creme colocados no rosto, talvez em borbulhas ou queimaduras.

- Posso passar?
- Para onde quer ir???
- Para o mar. Quero caminhar em direção ao pôr do sol!
Estranhei a voz ligeiramente nervosa, mas pensei que podia ser alguém a passar férias, instalada nalgum alojamento local próximo, à procura de um atalho para a praia. Então respondi:
- Pode descer por ali para o outro campo, ao meio há um caminho onde pode virar à direita e no fim do campo está na foz do rio Ave, virando à esquerda está na praia de Azurara.
Ela agradeceu, seguiu caminho e eu fiquei só com o trator, a máquina e o meu trabalho, mas cada vez mais angustiado com os meus pensamentos. Tirei uma foto quando já estava a 100 metros de distância e filmei-a a caminhar tão longe que já parecia um fantasma. Seria apenas uma turista, como pensei, alguém à procura de um momento “zen”, um momento de paz e meditação em frente ao mar, ou uma pessoa perturbada a caminho de um ato de desespero? Devia eu ter perguntado à senhora se precisava de ajuda? Estaria ela disposta a responder alguma coisa a um “lavrador” armado em psicólogo? Pensei ligar para os bombeiros ou para a GNR, mas e depois? Dizia-lhes que passou por mim uma mulher estranha e que era melhor segui-la para ver se ia apanhar sol ou atirar-se ao mar? Como iriam reagir no quartel? Sairiam em patrulha à procura dela ou diriam para ter juízo e procurar ajuda porque quem não estava bem era eu?
Nunca mais a vi e, sobretudo, mais importante, nas semanas seguintes, não ouvi notícias de qualquer ocorrência negativa. Espero que tenha encontrado a praia e a paz, que esteja bem e que não seja identificada nesta publicação onde procurei respeitar a sua privacidade como, mal ou bem, fiz nesse dia.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Os Pedros, os lobos e os calores

Já escrevi aqui, em plena vaga de frio no inverno de 2025, que tinha saudades do tempo em que o estado do tempo era um desbloqueador de conversas e não um detonador de discussões entre guerreiros do teclado. Uma pessoa chegava a um elevador ou à sala de espera do médico, comentava que estava frio e uns acenavam com a cabeça, outros ficavam calados e outros, se quisessem, tinham conversa para ocupar o tempo de espera.
Na pior das hipóteses, as discussões a sério eram resolvidas à sacholada quando os lavradores não se entendiam nas repartições das águas das presas.
Agora, venha frio ou calor,  vento ou chuva, lá começa a discussão entre os adeptos da teoria do “fim do mundo” (vamos todos morrer, temos de mudar de carro e de dieta) e do “fim do mês” (não se passa nada). 
Para piorar, as redes sociais estão cheias de páginas “meteo”  a lutar desesperadamente por likes e até a comunicação social tradicional às vezes entra nessa luta desesperada pela audiência. São os “Pedros” do nosso tempo, que buscam a mesma atenção que o Pastor Pedro, na história tradicional, procurava quando estava aborrecido a guardar as ovelhas e gritava “lobo” para ver toda a gente acudir, e quando veio o lobo a sério já ninguém o levou a sério. 
O risco, hoje, é que quando os lobos do calor ou de outros extremos vierem, como sempre vieram, mas agora podem vir mais vezes, com mais força, por várias causas que não quero agora aqui discutir, o problema é que se vierem, quem vai sofrer não são os “Pedros” dos likes, que nessa hora já estarão bem isolados do calor ou do frio com o dinheiro que ganharam nas discussões, quem vai sofrer serão as “ovelhas” do nosso tempo, que são os mais idosos, os mais sós, os doentes, os sem-abrigo, e no caso da agricultura, nós, os nossos trabalhadores, os nossos animais e as nossas culturas agrícolas. 
Sejamos objetivos. Procuremos informação credível como o site do IPMA, que na precisão da temperatura não costuma falhar. Na próxima semana, dizem as previsões,  vem calor. Não é o fim do mundo, é só muito calor. Protejam-se, e discutam menos, que aumenta ainda mais a temperatura…
#carlosnevesagricultor #agricultura #tempo #calor #VamosTodosMorrer

quinta-feira, 18 de junho de 2026

História de um gato preto


Tive um tio (por afinidade) que era médico de família, como o Dr. João Semana, do livro “As pupilas do Sr. Reitor”, de Júlio Dinis, e também dentista, com um consultório no Porto e outro na freguesia natal. Na sala de espera, tinha um quadro / aviso: “Ao médico, ao advogado e ao padre, dizei só a verdade”. No consultório, tinha uma cadeira antiga de dentista, onde passei longas horas a sofrer e também, em jeito de anestesia, a ouvir muitas histórias da sua vida.

Aconteceu que um dia, o meu tio foi chamado para acudir a um bruxo ou bruxa de uma freguesia vizinha, que estava doente (vou deixar em dúvida para não identificar exatamente a pessoa em causa). Lá foi o meu “tio doutor” na mota que usava para as consultas na aldeia. Chegou lá, entrou no quarto e um gato preto saltou da cama do/a doente.
- Não tenha medo!
- Não tenho medo de gatos!
Realizada a consulta e deixada a receita, disparou o meu tio para a pessoa, que quando não estava doente era sua “concorrente”:
- Então você atende aqui tanta gente e agora que está doente chama-me???
- Ó Sôtor, eu já passei muita miséria! Agora, com duas tretas, endireitei a minha vida!
Portanto, agora que já prendi a vossa atenção, se alguém precisar de endireitar a vida, ou simplesmente de companhia, tenho esta gatinha preta para adoção (agora já está mais crescida).

Dermatose e outras doenças emergentes – como proteger os nossos animais?

 



“Houve um tempo, até há cerca de 35 anos, em que a vacina da febre aftosa era obrigatória para os bovinos. Nessa altura o meu pai fazia engorda dos novilhos e um nosso vizinho, o senhor António, tinha um talho e comprava-nos alguns desses animais. Um dia combinámos vender-lhe um touro, ele veio vê-lo, eu entreguei-lhe o "boletim de sanidade” do animal e a folha comprovativa da vacina. Recordo bem que era uma folha A5, letra azul e papel fino. O Sr. António quis ver novamente a traseira do novilho, para se certificar que estava bem gordo. O animal estava preso à manjedoura num anexo com 3 animais. O Sr. António pousou os papéis na manjedoura, que ficava a 50 cm do chão, à moda antiga, e lá fomos todos avaliar a gordura do touro. Quando voltámos à frente a folha da vacina já estava na boca do animal. Basicamente, comeu a sentença de morte e durou mais uma semana, enquanto esperámos pela segunda via pedida na “Zona Agrária”…

Lembrei-me desta história, presente no meu livro de crónicas agrícolas, inserida num texto sobre vacinas, ao ouvir num destes dias recentes, uma notícia sobre o regresso da Febre aftosa à Europa, com focos na Grécia e em Chipre. A doença está de volta após décadas de erradicação que tornaram a vacina desnecessária.

Nos últimos meses a Direção Geral de Veterinária e as organizações de agricultores tem chamado a atenção para várias doenças “emergentes”, doenças que estão a “emergir”, a surgir pela primeira vez na Europa, por causas diversas, nomeadamente a maior movimentação de pessoas e mercadorias e também as alterações climáticas, com o aumento de temperatura que tem feito aparecer insetos que até agora apenas andavam por regiões tropicais.

A Dermatose Nodular Contagiosa é uma doença que afeta os bovinos e foi identificada pela primeira vez em África, na Zâmbia, então Rodésia, em 1929. A doença não é transmissível aos humanos, mas provoca febre alta, nódulos cutâneos característicos, inchaço dos gânglios, queda severa na produção de leite, emagrecimento, abortos e infertilidade. A doença é transmitida principalmente por insetos. Em África a doença é comum mas não existia na Europa. Apareceu em 2016 na Grécia, vinda da Turquia, mas foi controlada e erradicada. Voltou a surgir na ilha da Sardenha em 2025, na França e na Espanha (Catalunha). Como o objetivo é manter a Europa livre de doença, só é permitida a vacinação nas regiões afetadas pela doença e sempre que surge um caso num estábulo, todos os animais desse estábulo são abatidos e os animais 20 km à volta são obrigatoriamente vacinados.

O que podemos fazer para nos protegermos destas e de outras doenças “emergentes” antes que se tornem uma “emergência”?

Para começar, nós os crentes podemos rezar para que a doença não chegue a Portugal. Mas, lembrando o aviso “fia-te na Virgem e não corras…”, neste caso correr significa prevenir.

Apresento de seguida alguns conselhos de “Biosegurança” que escolhi entre os sugeridos pela Dra. Andreia Santos, Médica Veterinária responsável pela sanidade animal na Cooperativa Agrícola de Vila do Conde:

1.       Arrumar

·  Antes de pensarmos em lavar ou desinfetar, há que pensar em manter os espaços arrumados.

2.       Limpar

·         Retirar os excessos de materiais inertes ou não inertes. Facilitamos as ações como lavagem ou desinfeção.

3.       Lavar

·     O uso de detergentes específicos ajuda a retirar carga de matéria orgânica, gorduras, biofilmes e potenciam a desinfeção.

4.       Desinfetar

·         A desinfeção é a última escala da defesa por aplicação de biocidas.

5.       Estabular e Desinsetizar

·         Estabular os animais e aplicar insecticidas adequados.

6.       Limpar o excesso de vegetação em volta da exploração (20metros)

·      A vegetação é considerada uma barreira de biossegurança, mas deve estar afastada da exploração alguns metros, por poder ser abrigo de insetos e pássaros, visitas pouco desejadas nas manjedouras.

7.       Eliminar locais de águas paradas, como lagos, pocinhas, pneus dos silos (locais de eclosão de insetos)

·      Os bebedouros também podem ser locais de germinação de larvas de insetos se não forem higienizados de forma sistemática.

·       Atenção aos pneus usados para manter a cobertura dos silos: a água que se mantém no interior aquece e mantem temperatura mais elevadas facilmente, incluindo no Inverno, fazendo deles excelentes locais de multiplicação e manutenção das populações de insetos.

8.       Aplicar redes mosquiteiras nas grandes áreas abertas, como topos e laterais das explorações

9.       Manter ventilação ligada 24h por dia

·         Insetos tão pequenos como o culicóide (2 a 4mm) têm dificuldade em lutar contra correntes de ar e, por essa razão, a ventilação ligada permanentemente reduz o risco de ataque.

10.   Lavar e desinfetar qualquer veículo ou instrumento que tenha sido emprestado ou usado para ajudar outros agricultores.

11.   Dispor de umas quantas batas na exploração para os visitantes técnicos utilizarem por cima do equipamento que trazem.

12.   Dispor em locais estratégicos de lava botas com desinfetante.

13.   Criar um espaço de verdadeira quarentena

·     Animais que são comprados deviam cumprir um período de quarentena, pelo menos até serem conhecidas os resultados de análises.

14.   Desenvolver o hábito de ter agenda para receber visitas na exploração.

15.   Ter um espaço para receber as viaturas estranhas à exploração.

16.   Ser agente de mudança.

·         Exigir aos técnicos e pares mudanças de comportamentos, sendo exemplo. Atitudes em bloco têm infinitamente mais força e expressão.

17.   IMAGINAÇÃO E DETERMINAÇÃO!!! (artigo completo sobre Biosegurança disponível na Revista “Produtores de Leite” nº 33)

#carlosnevesagricultor #vacas #dermatose #vacinas

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Queijos e mimosas

O meu dia começa sempre com um pequeno almoço onde não faltam produtos lácteos e os meus preferidos são os iogurtes, pela facilidade de digestão e outras vantagens para a saúde. Descobri há dias, precisamente no dia da última greve geral, ao participar no fantástico congresso da Centromarca, os novos "Mimosa Colagénio", que, não sendo exatamente iogurtes, parecem iogurtes e são uma mistura suave e equilibrada de leite fermentado (iogurte é uma categoria específica de leite fermentado), gelatina, colagénio (bom para a pele e cartilagens) e vitamina C. Têm baixo teor de calorias por não ter adição de açúcar, mas  por outro lado têm alto teor de proteína. Estão disponíveis nos sabores morango, maracujá e kiwi/aloe vera.
Não quero deixar de partilhar também uma imagem do "monumento" (talvez com mais algumas calorias, mas, paciência, quase tudo o que sabe bem, ou faz mal, ou é pecado😅) monumento esse que era uma mesa , certamente preparada pela Maria João DosQueijos, onde estavam alguns dos mais saborosos queijos de Portugal e à volta dos quais encontrei algumas das pessoas que muito estimo e de quem espero a valorização do leite e do trabalho dos produtores de leite de Portugal. Parabéns pelo congresso  ao Pedro Pimentel / Centromarca e parabéns à Lactogal pelos novos mimosa Colagénio. Experimentem!
#carlosnevesagricultor #agricultura #vacas #leite #iogurte #queijo #mimosacolagenio #mimosa

sábado, 13 de junho de 2026

Eng Sousa Veloso - uma justa homenagem


Para assinalar o centenário do nascimento do Eng. Sousa Veloso foi lançado um selo comemorativo na Feira Nacional de Agricultura - Feira do Ribatejo, com a presença do Presidente da República António José Seguro e da família do homenageado. Na imagem, à esquerda, está o filho do Eng. Sousa Veloso. Uma justa homenagem a alguém que foi, na minha opinião, o primeiro e o maior comunicador da agricultura em Portugal.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Telerruptores

São duros estes dias de rega do milho debaixo de calor intenso, em que tentamos regar "tudo em todo o lado ao mesmo tempo", mas era ainda mais difícil antes de inventarem os "telerruptores", isto é, interruptores por telemóvel, pequenas caixinhas que os eletricistas colocam ligados ao "disjuntor automático" (aqueles que têm bobine de chamada), e que através de um cartão de GSM, cartão de telemóvel, daqueles sem assinatura que podemos comprar nos quiosques a 2,5€, em cada chamada que fazemos para aquele número, ligam ou desligam o motor. Isto é uma grande ajuda quando o aspersor está a centenas de metros da captação de água ou quando queremos lugar ou desligar a rega a partir de casa ou de qualquer sítio. Dois avisos: 1)antes de colocar o cartão no "telerruptor" temos de o colocar num telemóvel para tirar o pin de segurança. 2)após 2 meses de uso, o cartão fica bloqueado porque a máquina, para não nos fazer gastar dinheiro, rejeita sempre as chamadas. Para evitar isso é preciso antes tirar fora o cartão, colocar num telemóvel e fazer uma chamada efetiva para esse número.
#carlosnevesagricultor #agricultura #milho #regas #gadjets

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Carta a um inconsciente

 

Soube bem a cerveja, pá? Espero que sim. Sabias que por trás de cada cerveja, antes da fábrica da cerveja, está o trabalho dos agricultores que produziram a cevada, o lúpulo e outros ingredientes que podem ser adicionados como milho, arroz, aveia ou centeio? Ok, não é preciso agradecer, mas podias ao menos não estragar? Aquela garrafa vazia que atiraste para o campo à beira da estrada (só hoje apanhei 4 garrafas de cerveja e uma de uísque num espaço de 100 metros) podia ter furado um pneu do trator, podia ter ferido a pata de um gato ou cão ou, pior, ser engolido junto com a erva e acabar no estômago de uma vaca e provocar graves ferimentos. Agora já sabes.
#carlosnevesagricultor #agricultura #lixo #cerveja

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Crónicas agrícolas - ler para ajudar

22 de maio. Foi há duas semanas. Consegui acabar o trabalho pelas 20h30, jantei rapidamente, tomei um banho ainda mais rápido e segui tão rápido quanto possível, dentro dos limites, até Ferreiró, nos confins de Vila do Conde, para assistir ao Concerto-oração que a Isabel Azevedo tinha anunciado nas redes sociais, de forma muito discreta, como foi todo o concerto, intimista, numa igreja cheia mas em respeitoso silêncio, porque sendo também oração nos pediram para aplaudir apenas no fim.
Cheguei em cima da hora e cruzei-me à porta com dois amigos agricultores e com um senhor conduzido em cadeira de rodas que percebi mais tarde ser a pessoa que precisava da nossa ajuda.
Se tivesse chegado mais cedo teria ficado nos últimos bancos, mas, porque ao fundo os lugares já estavam ocupados, fui obrigado a ir para o meio da “plateia”, e estando junto à a parede sem risco de tapar a vista de quem estava atrás, gravei o vídeo que já partilhei para contar a história de Joaquim Oliveira, alguém que num momento de azar, enquanto descansava na praia no verão do ano passado, foi atirado para o chão e para uma paralisia quase completa. Felizmente tratamentos e fisioterapia permitiram uma grande recuperação, mas infelizmente esses tratamentos deixaram de ser comparticipados e por isso agora familiares, amigos e vizinhos fazem o que podem para ajudar com as despesas.
Eu fui apenas para assistir, dar uma pequena ajuda e gravar alguns momentos para recordação, mas achei que podia ajudar um pouco mais, divulgando a história com a ajuda de quem  conhece a família ou acreditou em mim e se comoveu como eu. 
Agora, aqui estou de novo, para vos dizer que o resultado das vendas do meu livro de crónicas agrícolas em junho e julho vai ser destinado a ajudar os tratamentos de Joaquim Oliveira, que podem comprar o meu livro a partir de amanhã na Feira Nacional de Agricultura - Feira do Ribatejo em Santarém, tanto no Stand da Carla Araújo Agro-Manual, logo no claustro da entrada como na livraria "Ao pé das letras”, que costuma estar ao pé das cerejas, ou então podem encomendar por mail mandando-me mensagem e podem ainda comprar numa caminhada solidária que vai acontecer em Ferreiró no próximo mês de julho! Histórias da minha vida e da minha agricultura, que não pretendem ensinar mas partilhar a realidade do campo com os leitores. Uma sugestão para as vossas leituras destas férias ou para oferecer a familiares e amigos. Partilhem! Juntos podemos ajudar!

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