sexta-feira, 26 de abril de 2013

“AO OITAVO DIA, DEUS FEZ O AGRICULTOR”

"AO OITAVO DIA, DEUS FEZ O AGRICULTOR"
O jornal precisa do meu artigo, a erva precisa de ser cortada e guardada, a terra precisa de ser lavrada, o milho semeado e o tempo não dá para tudo. Por isso partilho aqui uma tradução que publiquei há dias noutra publicação, a revista “Mundo Rural”, que a que provavelmente poucos leitores do “Terras do Ave” tem acesso e, caso leiam o artigo repetido, disfrutam duas vezes de um texto como eu gostava de escrever. Então foi assim: No  intervalo da final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos, o Superbowl,  aquele que foi considerado o “melhor anúncio” (sobre uma carrinha “pick-up”) reproduziu imagens feitas por fotógrafos famosos por capturar a vida no campo nos EUA sob narração de um texto antigo feita pelo radialista Paul Harvey em 1978. Apresento-vos aqui uma tradução livre do texto narrado no vídeo, publicada por Paulo Campus no blog  http://www.codigoflorestal.com/.


“Então, Deus fez o agricultor”


«E ao oitavo dia, Deus olhou para seu paraíso e disse: “Preciso de alguém que cuide desse lugar”

Então, Deus fez o agricultor.

Deus disse, “Preciso de alguém disposto a levantar antes do amanhecer, tirar leite, trabalhar o dia inteiro, tirar leite novamente, jantar e ir até à cidade e ficar até depois da meia noite numa reunião de conselho escolar.”

Então, Deus fez o agricultor.

Deus disse, “Preciso de alguém disposto a passar a noite acordado cuidando de um potro recém-nascido, vê-lo morrer e enxugar os olhos e dizer: “talvez para o ano que vem!”. Preciso de alguém que possa transformar um tronco de árvore num cabo de machado, ferre um cavalo com um pedaço de pneu usado, que possa fazer um arreio com pedaços de arame, sacos de ração e sapatos velhos. Alguém que, durante a época de sementeira e colheita encerre as suas 40 horas de trabalho semanais na terça-feira ao meio dia e passe mais 72 horas penando em cima do tractor.”

Então, Deus fez o agricultor.

Deus disse, “Preciso de alguém forte o suficiente para derrubar árvores e empilhar fardos, mas ainda gentil o suficiente para aparar cordeiros recém-nascidos, desmamar porcos e cuidar de galinhas, que seja capaz de parar seu trabalho por uma hora para cuidar da perna quebrada de passarinho.”

Deve ser alguém capaz de lavrar fundo, recto e firme. Alguém que semeie, ceife, alimente, crie, e dome, e are, e plante, e transforme lã em linha e coe leite. Alguém que mantenha uma família unida com a partilha de laços fortes. Alguém que sorria, e depois olhe e agradeça com um sorriso nos olhos quando seu filho diga que quer passar o resto da vida fazendo o que seu pai faz.

Então, Deus fez o agricultor.

"Ao agricultor que vive em cada um de nós"»

(Para verem o vídeo, com legendas, clicar aqui. Boa Primavera, boas colheitas, boas sementeiras e tenhamos orgulho no nosso trabalho!
Carlos Neves
Publicado no "Terras do Ave" em 26-4-2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

SINAIS DE ROMA PARA A NOSSA AGRICULTURA

 
1.       A 11 de Fevereiro, o Papa Bento XVI anunciou a sua resignação devido à idade avançada e falta de forças face às exigências das funções que ocupava e às necessidades da Igreja. Depois da surpresa inicial, fica o exemplo de saber sair pelo próprio pé e dar lugar à renovação. Um bom exemplo para muitos dirigentes agrícolas que mesmo ao fim de muitos anos não conseguem deixar o poder. Quanto mais tempo passa, mais difícil é sair. Para onde vou? Que vou fazer? Como vou ocupar o tempo? Quem virá para o meu lugar seguirá o caminho que me parece correcto?

Não escrevo a pensar em qualquer pessoa ou organização em particular. Vou tendo conhecimento de casos de pessoas agarradas aos lugares de poder e protagonismo nas várias regiões e sectores produtivos. Também não vou fazer julgamento de intenções. Por princípio, vou admitir que as intenções são boas e que está sempre por cima o valor do bem comum. Para outros casos não vale a pena gastar latim. Para os homens de boa vontade, deixo um apelo ao limite voluntário de mandatos, quando os estatutos ainda não os impõem. Partilhemos esforços, decisões e tarefas. Estejamos ao serviço algum tempo e saibamos partir. Um bom orador sabe calar-se antes de maçar. Um bom líder prepara a sucessão e sai por cima. Um mau líder agarra-se ao poder com unhas e dentes e sai derrotado pela idade, pela doença ou pelo desmoronar da organização envelhecida ou falida.

2.       A Resignação de Bento XVI permitiu a eleição do Papa Francisco. O até agora Cardeal Bergoglio escolheu Francisco por sugestão de outro Cardeal, em homenagem a Francisco de Assis, que há 800 anos revolucionou e renovou pela pobreza uma Igreja então cansada, opulenta e desgastada por 1200 anos de história e poder. Deixemos os pecados da Igreja para outra análise mas pensemos no desgaste, na opulência e nalguns salários excessivos das nossas organizações agrícolas. Olhemos não para os erros mas para o exemplo e para os sinais de simplicidade do novo papa que soube ser simples e viver pobre e parece mais livre e feliz do que quem vive no luxo.

3.       Na primeira audiência com os jornalistas o novo papa relatou as palavras do Cardeal Humes ao seu ouvido, momentos depois de eleito: “Os pobres! Não te esqueças dos pobres”. E depois o Papa Francisco acrescentou “Quero uma igreja pobre e para os pobres”. E disse-o num tom que cativou a todos e desarmou (por agora) aqueles a quem isso vai incomodar por implicar mudança e despojamento.

Queria eu conseguir falar ou escrever de forma simples, terna e desarmante como o Cardeal Humes ou o Papa Francisco. Quem tiver oportunidade de falar ao ouvido dos poderosos (e ser ouvido!), fale-lhes dos pobres e dos agricultores escravos que se arruínam a trabalhar.

4.       Ao tocar nestes assuntos de poder e dinheiro, arriscamos mais depressa seguir o exemplo de João Baptista, que há 2000 anos também viveu a pobreza, propôs o arrependimento e a renovação, denunciou os pecados de Herodes e pagou com a vida por isso. No Portugal do Século XXI já não devemos ter medo de ficar literalmente sem a cabeça como João Baptista, mas quem incomodar o “poder” com palavras de denúncia, posições firmes ou a hipótese de ser alternativa deixa de ser uma promessa simpática para o futuro e torna-se uma ameaça e alvo a “abater”. É próprio da natureza humana que assim seja, mas, ao longo da história, desde o antigo testamento até aos dias de hoje, nunca deixamos de ter profetas e também hoje alguém tem de assumir essa tarefa. Pode custar, mas tem que ser.

Carlos Neves

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

HABEMUS PAC, LASANHAS DE CORRIDA E BENTOS DE MUDANÇA

Carlos Neves
1.       HABEMUS PAC

Contra as piores expectativas que receavam não haver orçamento comunitário antes das eleições alemãs, os líderes europeus chegaram a acordo no Conselho Europeu sobre o orçamento comunitário para os próximos sete anos, sendo a PAC a parte mais importante do orçamento, porque é a única política verdadeiramente europeia e porque os políticos europeus preferem “dar” ao povo comida barata, exigir aos agricultores cuidados extra com a segurança alimentar, a qualidade, o ambiente e o bem-estar animal, abrir as fronteiras à importação de países de outros continentes com menos exigências e depois arranjam umas “ajudas” para manter os agricultores na actividade. Como previsto (escrevi isso aqui há um mês), a oposição e as organizações agrícolas dizem que foi um acordo negativo porque houve redução de verbas e o governo diz que foi positivo porque o resultado final foi melhor que a proposta inicial. Resta agora aguardar pelo acerto entre o Conselho Europeu (conselho de primeiros ministros) que chegou a esse acordo e o parlamento europeu, onde a proposta aprovada parece ser mais favorável e, sobretudo, aguardar pela distribuição das ajudas a nível nacional, para sabermos a dimensão das perdas para a nossa região e para o sector do leite. O melhor de tudo foi haver acordo, porque sem ele paravam as ajudas ao investimento, que, na minha opinião, são o melhor da PAC, ao contrário das ajudas ao rendimento, uma espécie de “esmola” que cola o rótulo de subsídio-dependentes nos agricultores.

2.       LASANHAS DE CORRIDA

Diz-se por aí que os ingleses trocaram as apostas em corridas de cavalo por corridas de lasanhas… isso por causa do escândalo da venda em Inglaterra e no resto da Europa de Lasanhas de marca sueca, fabricadas no Luxemburgo por uma empresa francesa com carne comprada a um empresa holandesa que comprava a outra no Chipre que por sua vez comprava a carne na Roménia, onde eram abatidos os cavalos cuja carne, mais barata, algures pelo caminho, recebia o rótulo de carne de vaca, melhor valorizada, porque muita gente não quer comer carne de cavalo. Salvo certas notícias de alguma contaminação que surgiram e se possam confirmar, estamos perante uma fraude económica que não põem em causa a segurança alimentar mas põem a nú as fragilidades do sistema de comércio e processamento de carne e as negociatas que prejudicam produtores e consumidores. Dentro do escândalo, um outro que nos deve fazer reflectir:  Spanghero, a empresa no centro do escândalo, pertence à cooperativa Lur Berri, mas pelos vistos dedica-se à importação de carne fazendo concorrência aos seus produtores e pressionando os preços para baixo. Será só na França que isso acontece? Quando vires as barbas do teu vizinho a arder, põem a tuas de molho”.

3.       BENTOS DE MUDANÇA

 
A 11 de Fevereiro, o Papa Bento XVI surpreendeu o mundo anunciando a sua resignação devido à idade avançada e falta de forças. Depois da surpresa inicial, fica o exemplo de saber sair pelo próprio pé e dar lugar à renovação. Sabemos, também por muitos exemplos na agricultura, que somos humanos e custa sempre muito deixar o poder, mas é mais fácil quando o encaramos como serviço, temos consciência dos nossos limites e estamos dispostos a partilhar esforços, decisões e tarefas.
(Publicado no "Terras do Ave" em 28-2-2013)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

DA REFORMA DA PAC AO VALOR DO LEITE

Cumprindo a tradição, foi muito animado e participado o colóquio que organizámos a 3 de Janeiro em Vila do Conde, sobre “A Reforma da PAC e o Valor do Leite”. Com a presença do Director Regional de Agricultura, do Professor Moitinho Rodrigues, da ESACB e do Eurodeputado Capoulas Santos, relator do Parlamento europeu para Reformada PAC, uma ampla plateia de agricultores teve oportunidade para saber um pouco mais sobre as perspectivas para a Europa agrícola bem como manifestar opiniões e discutir alternativas. Breves comentários, em síntese:

·         A Europa tem cada vez mais países com mais agricultores e menos orçamento comunitário, portanto, menos dinheiro disponível para a PAC, Política Agrícola Comum, para o período 2014-2020.

·         A Europa é governada e habitada por uma maioria de gente que nunca soube ou já esqueceu o que é fome generalizada (com excepção dos novos pobres, fruto da crise económica, que mesmo assim dispõem de cantinas sociais e outros apoios das IPSS); essa ausência de fome, consequência da disponibilidade de comida boa e barata, resulta do sucesso da PAC, fundada após a 2ª Guerra Mundial, mas desvaloriza a PAC e a agricultura, pois só davos valor ao que nos falta.

·         A Europa quer comida barata para os cidadãos, mas quer também abertura dos mercados do resto do mudo para os seus produtos industriais, por exemplo automóveis, cuja indústria representa muitos eleitores. Por isso a agricultura tem sido moeda de troca entre a Europa e o resto do mundo, tendo a europa assumido o compromisso de não apoiar directamente produção agrícola; Para contornar esta dificuldade, a Europa deixou de garantir preços aos produtos agrícolas e passou a dar um “rendimento mínimo” ao agricultor, o actual “Pagamento Único”. Mas isto trouxe novos problemas: Falta de algumas produções (por exemplo, cereais) e apoios a quem não produz, muito mal vistos pela sociedade e por muitos dos agricultores que efectivamente produzem e precisam de ajuda.

·         Para manter as ajudas aos agricultores, a Europa tem aumentado as exigências ambientais, que já exisitiam na actual “condicionalidade”; O europeu aceita que se pague alguma coisa ao “jardineiro” que mantém a paisagem e protege o ambiente. É neste contexto que se fala agora do “greening” - “esverdeamento”- da agricultura; Basicamente, haverá mais regras ambientais a cumprir para receber uma parte das ajudas comunitárias, por exemplo, obrigação de fazer rotação de culturas ao longo do ano.

·         A actual PAC tem muitas injustiças além do desligamento, nomeadamente as ajudas baseadas no “histórico” de cada agricultor, com diferenças enormes entre países. Por isso a actual proposta propõem o estabelecimento de um valor único por área (dentro do país, mas mantendo as diferenças entre países, porque nenhum país aceita baixar o seu orçamento) independentemente da cultura instalada no momento; Esta medida, apesar da boa intenção que parece ter, é profundamente gravosa para os produtores de tomate, arroz ou leite nas regiões de minifúndio, como o minho e a Beira Litoral. Mesmo os produtores de leite noutras regiões tem muitas vezes pouca área disponível para receber ajudas, porque compram silagem ou porque os donos da terra não assim contratos de arrendamento, para serem eles a receber os subsídios.

·         Eu ainda me lembro dos medos que provocou a adesão de Portugal à Europa, das desgraças sucessivamente anunciadas em cada reforma da PAC e dos resultados conseguidos após negociações, sempre excelentes na perspectiva do governo e maus na visão da oposição. Por isso, não sofram já a imaginar o fim da agricultura nem se iludam depois com “os milhões” adicionais que se possam conseguir ou deixar de perder. Preparem-se sobretudo para as “partilhas” nacionais do bolo de Bruxelas, cada vez mais pequeno.

·         Com menos ajudas de Bruxelas, não teremos outra saída além de trabalhar e lutar pela valorização do leite produzido. Foi nesse sentido que apresentamos no colóquio uma proposta de “índice de referência de preços”, desenvolvida pelo Professor António Moitinho e outros docentes da Escola Superior Agrária de Castelo Branco e cuja fórmula considera o mercado interno de lacticínios, o preço ao produtor nos países vizinhos e os custos de produção, nomeadamente Alimentos e energia. É uma proposta a desenvolver, em nome da transparência, da justiça e da sobrevivência das  explorações leiteiras e de toda a fileira da produção de leite.
Carlos Neves
(Publicado no "Terras do Ave" em 31-1-2013)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ELEIÇÕES

Em Outubro de 2013 teremos eleições autárquicas. Para além das coligações ou candidatos já conhecidos ou esperados, quero deixar aqui dois apelos: ao envolvimento dos agricultores na vida autárquica e ao envolvimento das autarquias na agricultura.

Por opção pessoal, não tenciono envolver-me na política activa em qualquer cargo de relevo nos tempos mais próximos. Não o faço por desprezo da política ou dos políticos, o que seria discurso fácil nestes tempos em que sofremos na pele as consequências de décadas de política errada e não vemos luz ao fundo do túnel em que nos metemos. Acredito na democracia como forma de governo cheia de defeitos mas certamente menos má que qualquer anarquia ou ditadura de esquerda ou direita. Vejo a política como a forma de governar a “Pólis”, a cidade onde somos cidadãos e creio que a política será tão melhor quanto mais e melhores forem as opções para escolha dos eleitores. Tenho opinião e faço escolhas como cidadão eleitor, mas como independente fico numa posição mais equilibrada para representar os agricultores junto de qualquer força política (e não tenho tempo para tudo). Apesar disso, respeito os dirigentes agrícolas que tomem uma posição diferente e deixo aqui um apelo à participação dos agricultores na vida partidária e nas candidaturas autárquicas. Como cidadãos rurais, somos muitas vezes afastados pela distância, pelo preconceito e falta de tempo do governo da “cidade”. Temos direitos e deveres como cidadãos e temos, como agricultores, tarefas de produzir alimentos, ocupar o território, modelar a paisagem, preservar tradições, património e habitats naturais, de onde podemos levar conhecimento, experiência e valor para a gestão autárquica e onde ganhamos por intervir onde se decidem as regras que afectam o desenvolvimento da nossa actividade.

Recordo, por outro lado, um comunicado lançado em 2009 na AJADP com “propostas para a actuação das autarquias no desenvolvimento da agricultura.” Nesse tempo em que ainda reinavam Sócrates & Jaime Silva, as “novas tecnologias”, a economia dos serviços e a agricultura pouco importava, escrevi que “por vezes os autarcas deixam a agricultura para segundo plano, atribuindo a responsabilidade pelo sector ao Ministério da Agricultura ou a Bruxelas, onde se decide a PAC, Política Agrícola Comum. Efectivamente, as autarquias não são responsáveis pela política nacional ou comunitária, mas, a nível local, podem adoptar uma atitude positiva e activa relativamente ao sector agrícola.”

Agora que Portugal e o resto da europa já assumem a agricultura, as pescas e indústria como opções estratégicos, importa não gastar muito tempo a discutir quem abandonou a agricultura mas olhar o presente e futuro para decidir o que podemos fazer de concreto e positivo para desenvolver o sector e o meio envolvente. De forma sintética, recordo as propostas então apresentadas:

 
“1. Um regime especial para licenciamento das construções agrícolas, simplificado nos procedimentos, com isenção de taxas de urbanização para as construções existentes e uma taxa reduzida para as novas construções;
2. Discriminação positiva nos vários impostos municipais e nas percentagens dos impostos nacionais a que as autarquias têm direito;
3. Acesso à terra: Para disponibilizar terra aos jovens que se pretendam instalar na agricultura ou aos agricultores instalados que desejem aumentar a exploração agrícola, as autarquias podem disponibilizar terras de que seja proprietárias, podem promover o “arrendamento rural” como forma de ocupar terrenos incultos, criando um “banco de terras” e também aumentar o imposto municipal para os proprietários que recusem arrendar e tenham os terrenos incultos;
4. Criação de um prémio monetário para jovens que se instalem na agricultura, atribuído anualmente a todas as novas instalações ou, através de concurso, premiando os projectos mais inovadores e sustentáveis do ponto de vista económico e ambiental, de modo a premiar os melhores e promover os bons exemplos;
5. Promoção dos produtos agrícolas, facilitando a sua comercialização, colaborando com as cooperativas agrícolas e organizações de produtores já existentes ou apoiando a realização de feiras e exposições para a venda directa desses produtos;
6. Sensibilizar as superfícies comerciais, nomeadamente as grandes superfícies, para a comercialização dos produtos agrícolas da região;
7. Limpeza, pavimentação e alargamento dos caminhos rurais e florestais que são essenciais para a nossa actividade;
8. Limpeza dos cursos de água, da sua vegetação, lixo e tratamento dos esgotos que é fundamental para a utilização da água para rega;
9. Apoiar a formação e informação dos agricultores;
10. Facilitar a comunicação entre o sector agrícola e a sociedade envolvente, através da exposições temáticas e visitas das escolas a explorações agrícolas, para que as crianças descubram a origem dos alimentos e valorizem o trabalho dos agricultores.”

Creio que estas propostas permanecem actuais. Felizmente algumas foram já implementadas em várias autarquias mas porque não têm patente registada podem e devem ser replicadas noutros locais, mesmo com as restrições orçamentais. Haja vontade, imaginação e iniciativa para apoiar e desenvolver a agricultura. O futuro de Portugal e os eleitores acabarão por agradecer.
Carlos Neves
Pubicado no "Terras do Ave" em 2-1-2013