1. HABEMUS PAC
Contra as
piores expectativas que receavam não haver orçamento comunitário antes das
eleições alemãs, os líderes europeus chegaram a acordo no Conselho Europeu
sobre o orçamento comunitário para os próximos sete anos, sendo a PAC a parte
mais importante do orçamento, porque é a única política verdadeiramente
europeia e porque os políticos europeus preferem “dar” ao povo comida barata,
exigir aos agricultores cuidados extra com a segurança alimentar, a qualidade,
o ambiente e o bem-estar animal, abrir as fronteiras à importação de países de
outros continentes com menos exigências e depois arranjam umas “ajudas” para
manter os agricultores na actividade. Como previsto (escrevi isso aqui há um
mês), a oposição e as organizações agrícolas dizem que foi um acordo negativo
porque houve redução de verbas e o governo diz que foi positivo porque o
resultado final foi melhor que a proposta inicial. Resta agora aguardar pelo
acerto entre o Conselho Europeu (conselho de primeiros ministros) que chegou a
esse acordo e o parlamento europeu, onde a proposta aprovada parece ser mais
favorável e, sobretudo, aguardar pela distribuição das ajudas a nível nacional,
para sabermos a dimensão das perdas para a nossa região e para o sector do
leite. O melhor de tudo foi haver acordo, porque sem ele paravam as ajudas ao
investimento, que, na minha opinião, são o melhor da PAC, ao contrário das
ajudas ao rendimento, uma espécie de “esmola” que cola o rótulo de subsídio-dependentes
nos agricultores.
2.
LASANHAS DE CORRIDA
Diz-se por aí
que os ingleses trocaram as apostas em corridas de cavalo por corridas de
lasanhas… isso por causa do escândalo da venda em Inglaterra e no resto da
Europa de Lasanhas de marca sueca, fabricadas no Luxemburgo por uma empresa
francesa com carne comprada a um empresa holandesa que comprava a outra no
Chipre que por sua vez comprava a carne na Roménia, onde eram abatidos os
cavalos cuja carne, mais barata, algures pelo caminho, recebia o rótulo de
carne de vaca, melhor valorizada, porque muita gente não quer comer carne de
cavalo. Salvo certas notícias de alguma contaminação que surgiram e se possam
confirmar, estamos perante uma fraude económica que não põem em causa a
segurança alimentar mas põem a nú as fragilidades do sistema de comércio e
processamento de carne e as negociatas que prejudicam produtores e
consumidores. Dentro do escândalo, um outro que nos deve fazer reflectir: Spanghero, a empresa no centro do escândalo,
pertence à cooperativa Lur Berri, mas pelos vistos dedica-se à importação de
carne fazendo concorrência aos seus produtores e pressionando os preços para
baixo. Será só na França que isso acontece? Quando vires as barbas do teu
vizinho a arder, põem a tuas de molho”.
3.
BENTOS DE MUDANÇA
A 11 de Fevereiro,
o Papa Bento XVI surpreendeu o mundo anunciando a sua resignação devido à idade
avançada e falta de forças. Depois da surpresa inicial, fica o exemplo de saber
sair pelo próprio pé e dar lugar à renovação. Sabemos, também por muitos
exemplos na agricultura, que somos humanos e custa sempre muito deixar o poder,
mas é mais fácil quando o encaramos como serviço, temos consciência dos nossos
limites e estamos dispostos a partilhar esforços, decisões e tarefas.
(Publicado no "Terras do Ave" em 28-2-2013)
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