quarta-feira, 14 de abril de 2021

Desenrascar, ajudar... e cuidado!



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Na quinta-feira da semana passada, ao início tarde, ligou-me um colega agricultor:





- Estás muito ocupado hoje?

- Bem, já fui a dois stands de tratores comprar peças, ainda tenho de passar numa oficina a consertar um tubo que rebentou esta manhã, ir ao colégio buscar o miúdo mas a meio da tarde já estou em casa…

- Precisava que me viesses desenrascar hoje com o reboque. tinha a silagem marcada para o início da tarde mas por causa de avarias só vou começar ao fim da tarde e a essa hora quem estava combinado vir ajudar tem que fazer a ordenha…

- Ok, conta comigo! - respondi. Ele já me tinha vindo ajudar mas só estava previsto eu devolver a ajuda noutra ocasião

Começámos já perto das 19h00, o que deu algumas belas fotos do pôr do sol mas teria valido um ralhete da minha avó, por “Ir para o campo à hora de vir!”. Ela dizia sempre “ide cedo para vir cedo” 🙂 .

Já depois das 20h00 com o crepúsculo a avançar rebentou um tubo do meu reboque… Depois de muito procurar conseguimos desenrascar com um tubo de uma alfaia do meu colega que estava parada, mas se fosse preciso já havia um reboque de um vizinho para emprestar...

Regressei a casa às 22h00 e o resto da equipa ficou a terminar a colheita dos campos mais próximos do silo onde não precisavam da minha ajuda. Devem ter trabalhado até perto da meia noite. Muitos tratores e tratoristas andaram entre campos e estradas nesse dia e nessa noite, porque no dia seguinte se esperava chuva.

No sábado só havia previsão de chuva para quarta-feira, portanto marquei o resto da minha silagem para terça-feira, cortando a erva sábado ao fim do dia e no domingo de manhã.

Segunda-feira, depois de deixar o trator na oficina para a reparação de uma pequena avaria que detetámos ao lubrificá-lo no fim de semana, vejo que as previsões anteciparam a chuva para terça… e antecipei a minha silagem para a tarde desta segunda-feira. Foi a minha vez de ligar a toda a gente para me "desenrascar". Ao fim da tarde a minha silagem estava feita e enquanto o Hugo ficou a fechar o silo com outra ajuda ainda consegui semear um campo que tinha a terra preparada, mesmo que para isso tenha chegado para jantar às 22h30. Terça acordei com o som da chuva no telhado. Soube bem ouvi-la a cair, sobretudo sabendo que conseguimos guardar a colheita antes dela chegar.

Só com muita entreajuda, muito “desenrascar” e muita boa vontade dos colegas, dos prestadores de serviços e dos mecânicos é que conseguimos guardar as culturas no melhor ponto possível de acordo com os imprevistos do tempo. E, já agora, aproveito para agradecer a paciência dos vizinhos que por esses dias aguentam o pó, barulho e cheiros. Não há rosas sem espinhos, é o preço da paisagem verde.

Agradeço e peço também a paciência e o cuidado dos condutores que se cruzam com as nossas máquinas e tratores nas estradas. Ah, muito importante, quando levamos uma alfaia suspensa atrás do trator, como uma charrua, muita atenção e ainda mais paciência para não ultrapassarem quando estamos a virar à direita para entrar nos campos ou num caminho, porque quando viramos à direita o “rabo” da máquina vai para a esquerda, ok??? Obrigado!


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