
Participei esta manhã, em representação da APROLEP, na “Cimeira do Leite”, um colóquio que terminou com um almoço de “Networking” para convidados e dirigentes cooperativos, organizado pela Lactogal para encerrar a celebração dos 30 anos de existência.
Confesso que tenho uma relação agridoce com a Lactogal, a empresa de base cooperativa que há 30 anos transforma, comercializa e valoriza mais de 60% do leite português. Para contestar aspetos negativos da sua gestão e descidas do preço do leite, ao longo destes mesmos 30 anos, em representação dos produtores, escrevi comunicados, dei entrevistas, organizei manifestações à porta da fábrica e da sede, escrevi artigos de opinião muito duros, paguei um preço por isso e mesmo assim fui também criticado por ser demasiado brando, suave, por não atacar o suficiente e até acusado de proteger demais a empresa e de estar comprado ou calado à espera de um lugar “no poleiro”. Nada de novo. Afonso de Albuquerque, o português que controlou o Estreito de Ormuz em 1500, já então se queixava : “Mal com el-rei por amor dos homens, mal com os homens por amor de el-rei."
Mas, como escrevi acima, a Lactogal valoriza o leite português, é líder de mercado, pertence às cooperativas que pertencem aos produtores e quanto melhor for gerida, quanto mais protegida for, quanto mais união congregar entre produtores, técnicos e dirigentes das várias cooperativas associadas, quanto mais sucesso comercial tiver, melhor para todos, mesmo para aqueles cujo leite produzido tem outro destino. A prova é que neste momento, finalmente, as cooperativas associadas na Lactogal estão a pagar aos produtores um preço acima da média europeia e os restantes compradores, sobretudo os que têm capacidade industrial e maior dimensão, até agora, conseguiram também manter o preços, isto é, descer menos do que no resto da Europa.
Por tudo isto, hoje só quero “manifestar” que foi um dia muito positivo: pelo aniversário, pelos oradores presentes nos debates que nos falaram de bem-estar animal, de ambiente, do valor do leite e dos produtos lácteos enquanto alimentos ricos em cálcio, iodo, proteínas, vitamina B12, pelas perspectivas de futuro do leite enquanto proteína de alto valor biológico, um alimento rico, natural e completo. Aprendi uma coisa nova: o “Dairy Matrix”, ou “matriz láctea” é um conceito das ciências da nutrição que significa que os benefícios para a saúde de consumir laticínios são superiores à soma dos seus componentes isolados, o que não é de admirar num alimento produzido pela natureza e consumido pelos humanos há 9000 anos. Ah, e encontrei velhos amigos que nos ajudam a valorizar o leite e o trabalho dos agricultores.
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