









Fui passar um fim de semana a Paris com a família e quero partilhar convosco três recordações:
Liberdade. Perguntaram-me há pouco tempo se concordava que "a produção de leite é uma prisão". Respondi que às vezes estamos presos, mas temos de fazer sempre um esforço para sair. Cada saída, cada viagem, seja a Aveiro ou ao estrangeiro, é um objetivo de “libertação” que me proponho alcançar. O meu pai dizia que havia quem chamasse ao nosso trabalho "escravatura branca" (por causa da cor do leite). E cada publicação minha sobre férias é um desafio, um incentivo que vos faço para também sair desta "prisão" que, às vezes, é psicológica.
Igualdade. Viajar é uma aula prática de igualdade, diversidade e encontro com o diferente em múltiplas situações. Descontando a excepção das pessoas muito ricas que viajam em jatos privados, a igualdade começa logo na revista de segurança do aeroporto que nos obriga, todos, a colocar os pertences na caixa que vai ao raio-x e passar o detetor de metais com as calças na mão e às vezes descalsos. Diversidade que depois continua com os turistas de todos os cantos do mundo que nos pedem para tirar uma foto junto à Torre Eifel ou com os imigrantes de todas as origens que nos vendem souvenirs, conduzem os táxis ou ubers e nos atendem nos cafés, restaurantes e hotéis.
Fé e fraternidade. A fraternidade vem de fraterno, frater, irmão. A “fraternidade”, enquanto valor da sociedade ocidental, tal como outros valores, bebe na fonte do cristianismo, à luz do qual todos somos irmãos por sermos “filhos de Deus”. Sejamos ou não crentes ou praticantes, a nossa cultura, aquilo que somos, tem um chão comum que nos marcou nos últimos 2000 anos, que devemos conhecer e proteger. Por isso todos nos comovemos com o incêndio da Catedral de Notre-Dame e rejubilámos com a sua recuperação. De cara lavada, a catedral, onde fomos à missa no domingo, tal como o Sacré-coeur (igreja jubilar) ou a igreja de S.Severin, que encontrámos por acaso, são casas de porta aberta para os crentes que queiram rezar, para os turistas que querem visitar enquanto obras de arte ou para quem quiser simplesmente entrar e meditar ou descansar.
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