sábado, 13 de março de 2021

Os cães da nossa vida 

  


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“Então e cães, não tens?”, perguntou a minha prima, após mais um vídeo com gatinhos. Tenho, Isabel. E para mostrar que são importantes escolhi um domingo para escrever sobre eles. Foi aos domingos que comecei a ler a banda desenhada do “Príncipe Valente” no “Primeiro de Janeiro” que o pai comprava. Depois mudámos para o Jornal de Notícias e passei a seguir “religiosamente” os textos do saudoso amigo P. Rui Osório, que nos dizia para ter sempre “cara de gente salva” e, na Notícias Magazine, os editoriais da Isabel Stilwell e as deliciosas crónicas do “Tomás de Montemor”. Por isso, agora que escrevo eu, gosto de vos servir coisas especiais aos domingos.


Durante muitos anos, os nossos cães foram rafeiros que adotámos entre os vadios que passavam, quando a casota ficava vaga. Eram sobretudo cães de guarda, para “dar sinal” de alguma visita ou “gado solto”. O primeiro cão de me que lembro, que veio connosco da “casa de Quintão” era o “Piloto”. Naquele tempo, a casota do Piloto era um daqueles bidões de 200 litros, vazio, deitado e aberto numa das pontas. O Piloto, que devia ser arraçado de “pastor alemão”, lá se equilibrava com dificuldade em cima da sua casota redonda e escorregadia. Morreu de forma súbita e suspeita, poucos dias após um assalto que levou um aspersor da nossa cortinha (acho que era um “polaris” – tipo “River”, mas em tamanho grande).


Tenho uma vaga ideia de um “Leão” e de uma cadela que sucederam ao Piloto, mas o primeiro cão a ter direito a uma casota foi o Benfica. Por essa altura, começou a invasão do Iraque pelos Estados unidos e alguns mísseis americanos erravam o alvo e atingiam as posições dos seus aliados. Chamavam-lhe “fogo amigo”. Um dia, cheguei a casa, vi a casota do Benfica toda destruída e desatei a rir ao lembra-me do “fogo amigo” dos misseis americanos, mas fora apenas um descuido do meu pai a carregar um esteio com o trator 😊.


Hoje temos duas cadelas. A “Quica” toma conta e recebe mimos do outro lado da vacaria. Aqui mais perto temos a Xica. É uma cadela labrador, creme. Descobrimo-la à venda no olx, já quase adulta, depois de perdermos uma branquinha com poucos meses de vida. Fomos busca-la a Ponte de Lima. O anterior dono dizia que se chamava “Ruana” e que teria vindo de Espanha com a sua irmã. O meu pai queria chamar-lhe “Princesa” mas a Carina chamou-lhe “Chica”, ou “Xica”, sei lá, ela respondeu à chamada, ficou batizada e por cá ficou acompanhando o crescimento do Pedro e agora do Luís. Toma conta da casa e faz-nos bem. E vocês, querem mostrar-me os vossos cães? Tem histórias curiosas para contar?


#carlosnevesagricultor

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