Futebol
Algures na década de 90 do século passado, eu teria cerca de 15 anos, era aluno da Casa-Escola Agrícola Campo Verde, em S. Pedro de Rates, Póvoa de Varzim, vogal multifunções da “Junta de autogoverno” da turma (uma equipa de 5 elementos que fazia as funções do “delegado de turma”) e guarda-redes da equipa de futebol da mesma turma. Um dia, tendo sido combinado um jogo com uma turma da escola C+S local, por razões que já esqueci, foi preciso ir à dita escola antes do jogo combinar os últimos detalhes. Lamentavelmente, aceitei tomar café, coisa com que não tinha experiência, mas que me deixou ainda mais nervoso. Entretanto, durante o jogo, quando já estávamos a perder 2-0, por golos de que não tive culpa, atrasaram-me a bola, não a consegui agarrar e à segunda tentativa escorregou-me das mãos e ainda meti a bola dentro da baliza. A minha carreira no futebol acabou aí…
Fátima
No final desse mesmo ano letivo, as seis “Casas-Escolas Agrícolas” que então existiam agrupadas na APDR (agora existe apenas a nossa Escola em Rates, para além das outras escolas agrícolas que são públicas), juntaram-se em Fátima num convívio. Depois das orações e missa durante a manhã e do almoço de convívio e partilha de farnéis, 600 pessoas reuniram-se no auditório Paulo VI para uma palestra de que nada recordo, exceto que a dada altura o Dr. António Damásio, então diretor da nossa escola, sem me ter avisado ou preparado, foi ao microfone e chamou-me ao palco para ir dizer umas palavras sobre a escola e sobre a região do Entre Douro e Minho. Não me lembro do que disse, mas sei que correu bem, porque bateram palmas no fim e não me criticaram. A única coisa de que me lembro é que estava tão nervoso que as minhas pernas tremiam como varas verdes. Foi a primeira e a última vez. Depois disso já falei com 3 presidentes da república, ministros, deputados, eurodeputados, comissários europeus, já dei entrevistas em direto, no estúdio ou no meio das vacas… e nunca mais fiquei tão nervoso como dessa vez. Foi uma vacina e peras!
Fado
Quando fiz o 9º ano na Escola Secundária José Régio, em Vila do Conde, cruzei-me na turma do 9ºI, se a memória não me falha, com um colega chamado Alexandre, que nunca mais vi, muito simpático e com um sentido de humor refinado… Sempre que me ouvia a cantarolar uma música, coisa que eu fazia com frequência, dizia: “Ó Neves, gostas dessa música?”, e eu dizia que sim, na primeira vez, pelo menos, porque “à primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer” e portanto:
Gostas dessa música?
Gosto!
Então não a estragues!...
E portanto, citando Frei Hermano da Câmara, “Ser fadista foi meu sonho / mas não foi esse o meu fado / Deus traçou-me outro caminho / cheio de amor e carinho / fez-me andar para outro lado!”
(Escrito para a revista Mundo Rural de julho - Agosto de 2026)
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