terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cenas da vida de um lavrador - a "bufadeira"

D. Branca, a gata mais velha do pedaço, com um olho amarelo e outro azul, quase morreu de parto e foi salva in-extremis por uma cesariana do Dr. Ernesto, depois da sua brancura ter sido descoberta em cima de um saco branco pela minha esposa, arrastada pela trela de uma Lassie que era suposto passear e não tinha exatamente as melhores intenções em relação à Branca, mas a vida é assim, às vezes “avança-se mais com os pontapés dos inimigos do que com os abraços dos amigos”.
Ao longo da sua vida, a gata Branca teve muitas ninhadas. Alguns não sobreviveram, outros foram dados para adoção. Curiosamente, da ninhada anterior sobraram todos: O “Jorge”, chamado assim por ser igual a outro “Jorge” anterior que era irmão de uma “Pepa”, por causa da “porquinha Pepa”, e que emigrou para o cimo da rua, provavelmente escorraçado pelo “Cream”, de cor creme, que se tornou o “macho alfa” entre a gataria cá de casa; O “Ice”, branco como o “Jorge” e como o comboio rápido da Alemanha onde viajámos de visita às feiras agrícolas de Hannover quando estes gatos eram pequenos (temos portanto um “Ice” e um “cream”, portanto, “Icecream”, gelado, ao contrário da relação “quente” e barulhenta entre os dois, apesar de termos mandado castrar o Ice para não ter o mesmo destino do irmão escorraçado) e ainda (como se dizia no tempo do “1,2,3”), fazia parte dessa ninhada uma gata que se auto-marginalizou, e que se tornou “brava”, ao contrário dos irmãos dóceis que querem mimo, e que “bufa” como sabem bufar os gatos quando se querem mostrar bravos, mesmo quando vem comer os restos do jantar e comida de gato que lhe oferecemos todos os dias, e que por isso foi batizada pela minha esposa de “bufadeira”.
Mal alimentada porque se marginalizou, a “bufadeira” teve várias crias que não sobreviveram mas houve finalmente um gatinho, que também era uma bufadeira pequenina, mas que se aproximou o suficiente da minha esposa para ser criado a sopas de leite e que eu, mais tarde, pacientemente, fui domesticando e mimando para poder dar para adoção , mas apesar de várias publicações ninguém o quis e agora, pequeno adulto, já deve ser tarde para o adotar, e por agora ainda não houve grande stress entre o Cream e o filho da bufadeira” e por isso adotei-o eu novamente, e isto é tudo literalmente verdade, e não é só sobre gatos.

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